terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Mobilidade em São Paulo: a díficil tarefa de fazer o óbvio

Já faz tempo que um dos maiores problemas da cidade de São Paulo é o trânsito. Isso é bem previsível numa cidade que teve seu crescimento influenciado pelo carro e moldado para o carro. Na medida que a população aumenta e que parte da população com menores condições torna-se capaz de comprar um veículo próprio (todos querem, afinal todos os demais modos sempre foram negligenciados), fica claro que o espaço que essa população motorizada ocupa, estacionada ou em movimento, não cabe nas vias da cidade. 
O problema que temos hoje é essa cultura enraizada nas pessoas, que não deixa que ações claras de melhorias sejam feitas sem que parcela representativas da mídia e da população tente aponta-las como malfeitorias.
Recentemente o editorial do jornal eletrônico Estadão escreveu um artigo superficial e sem sentido, contrariando tudo que se estuda e faz em todo mundo à respeito de mobilidade urbana. Tal artigo sequer merecia o respeito de qualquer pessoa, porém como vivemos um momento em que o assunto está em pauta e é importante que todos tenham conhecimento ao menos dos rumos a serem tomados, a ANTP publicou uma nota do especialista Eduardo Vasconcellos com algumas reflexões à respeito.
A nova empreitada da mídia da elite contra a mobilidade urbana foi publicada no início de dezembro de 2013 pela revista Época.  Mais uma vez usam dados superficiais e análises completamente equivocadas para tentar - de maneira eleitoreira - desmoralizar um das melhores ações pró-mobilidade feita nos últimos anos em São Paulo. A ignorância é tanta, que ao comentar que a grande maioria da população se vê obrigada a usar o ônibus, o texto acaba por reafirmar a necessidade dos corredores - pauta do assunto que eles se colocam contra.

A tabela a seguir apresenta alguns dados dos modos de transporte e sua divisão modal em São Paulo.



A tabela mostra que a minoria das viagens são feitas por bicicletas e o automóveis, contrastando com a maioria dos investimentos historicamente feitos para carros na cidade. É possível ver também a grande diferença de capacidade entre os automóveis e os demais modos, além de mostrar o alto consumo de energia e poluição do modo individual motorizado.
Fica claro o que dizem as revistas especializadas no assunto e o que mostram os exemplos realizados em todo o mundo (principalmente em países desenvolvidos): há uma grande necessidade de se barrar o uso dos automóveis em prol dos pedestres e do transporte coletivo, além de criar medidas que estimulem o uso das bicicletas.
É importante que isto esteja claro na cabeça da maioria da população e para isso a mídia de maior credibilidade tem seu papel. A cultura da carro-dependência e a manipulação de dados de algumas mídias ignorantes e elitistas podem até tentar barrar medidas pró-mobilidade, mas o bom senso deve prevalecer.
Resta esperar que a implantação das faixas de ônibus e a futura construção de corredores simples e BRT continuem a todo vapor na cidade, e que no futuro, faixas de veículos e estacionamentos do tipo zona azul, sejam substituídos por melhores calçadas. Com isso os modos tão representativos nas viagens de São Paulo (a pé e transporte coletivo) retomem a área que lhes foi retirada ao longo da história.

(L. M. T. Alves)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Novos pontos de ônibus em São Paulo: design e propaganda de mais, proteção e informação de menos

Desde o início do ano de 2013 começaram a ser implantados os novos pontos de ônibus da cidade de São Paulo, herança da antiga gestão. A empresa vencedora da licitação é responsável pela instalação e manutenção dos pontos e relógios, e com isso terá o direito de explorar com espaços para publicidade. O fato é que o contrato é longo e, gostando ou não, o paulistano vai ter que se acostumar. Podem ser feitas duas análises sobre os pontos de ônibus:
 
1. Em relação à proteção contra chuvas, ele é bastante aberto e, assim como os antigos pontos de ônibus, com qualquer chuva de vento torna-se impossível não se molhar. Porém, pouco pode-se fazer em relação à este problema, uma vez que em dias muito quentes, um ponto mais fechado provavelmente não seria tão utilizado. Já em relação à proteção contra os raio solares, houve uma infeliz escolha de vidro transparente no teto que incomoda demais os usuários em dias quentes. É algo que poderia - e deveria - ser alterado nas próximas instalações e manutenções. 

2. A informação ao usuário é o
pior aspecto dos pontos. A cidade de São Paulo historicamente informa muito mal seus usuários de transporte público, sendo muito comum não haver nenhuma informação das linhas nos pontos de ônibus. É normal também, ver as pessoas pararem todos os ônibus para perguntar aos motoristas sobre trajetos e destinos.
Os novos pontos de ônibus são instalados muito rapidamente, e em questão de poucos dias a propaganda começa a ser explorada. Já as informações ao usuários demoram semanas, as vezes meses para serem instaladas, e ainda sim muito simples e com pouca informação. 

As figuras abaixo mostram (i) o ponto de ônibus em São Paulo, com seu minúsculo adesivo de informações e (ii) o exemplo de um painel de informação típico em Londres, que é apresentado em cada ponto de ônibus. Além disso, lá são apresentadas informações separadas de cada linha nos pontos, com a tabela de horários.

i. Novos pontos de ônibus de São Paulo

ii. Informação ao usuário nos pontos de ônibus em Londres


É visível a diferença de cuidado com o usuário. Em casos como o da capital inglesa, aumenta muito a eficiência do transporte com a redução do número de paradas inúteis na viagem.
As novas tecnologias de informação e a popularização dos smartphones também ajuda os usuários, mas é impossível imaginar que isso seja suficiente. A informação é extremamente importante no transporte público, e deveria ser vista com mais seriedade pelo poder público. Ainda mais em tempos de grandes eventos internacionais numa metrópole como São Paulo, que recebe grande quantidade de turistas que não têm nenhum dever de saber com detalhes seus destinos ao usar os ônibus.

(L. M. Alves)