sexta-feira, 20 de março de 2009

Leonardo da Vinci e as enchentes

Todo mundo conhece o gênio de Leonardo da Vinci, mas poucos sabem que ele foi o engenheiro hidráulico que resgatou a província de Milão da calamidade das inundações dos cursos d’água que a atravessam.
Depois da enchente que em 16 de março, ocorreu em São Paulo, parece claro que o sistema de escoamento das águas de chuva e dos rios da cidade na funciona muito bem.
Mas como resolver esse problema que atrapalha a cidade?

Ninguém sabe, ma
s em 1492, quando a América estava sendo descoberta, na Itália, Leonardo da Vinci já sabia muito sobre esse assunto. Ele ficava dias nas margens dos cursos d’água colocando pedras de diferentes formas e tamanhos para ver como o fluxo da água mudava.
Os pescadores observavam e o achavam doido, mas não sabiam que ele estava escrevendo um tratado sobre o fluxo d’água e seus parâmetros físicos (Del Moto e della Misura Dell’ acqua, LEONARDO DA VINCI) infelizmente ainda não traduzidos em português. Também em 1515, ele começou a direção da construção de uma obra faraônica que foi acabada somente após muitos anos, em 1777.
Leonardo projetou um sistema de canais e eclusas altamente tecnológicos que resolveu o problema das enchentes que atrapalhavam Milão e a província.
A função dos c
anais e das eclusas era de, além de possibilitar o acesso de barcos a Milão, criar uma rota alternativa e mais controlável para o fluxo da água que chegava dos Alpes até o rio Pó, evitando as inundações das áreas urbanas. Esse sistema, com as devidas manutenções está ainda em utilização e em pleno funcionamento.
O território de São Paulo é muito diferente de Milão e, sobretudo a época é não é a mesma: agora a consideração dos problemas ambientais é indispensável para avaliar qualquer hipótese de intervenção no território. Todavia estudando aquele exemplo e o tratado que Leonardo da Vinci escreveu, talvez seja possível encontrar segredos úteis para chegar a uma solução viável.


(Paola Bianchi)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Utilização de Manta Geotêxtil nas Redes de Drenagem

É comum, principalmente em regiões litorâneas, depararmos com crateras, ao transitarmos pelas ruas pavimentadas.
O motivo quase sempre é o mesmo; infiltrações nas juntas das tubulações das redes de drenagem e de captação de águas pluviais. O material do reaterro das valas de assentamento destas tubulações escapa pelas pequenas juntas entre os tubos, formando vazios sob a pavimentação, que em seguida cede, aparecendo então estas crateras no pavimento.
A explicação é muito simples. Normalmente, os tubos de concreto utilizados nas redes de drenagem e captação de águas pluviais, após assentados, tem suas juntas – encaixe do tipo ponta e bolsa – rejuntadas com argamassa feita com cimento e areia. Porém esta argamassa é “rígida” , o que após a acomodação ou pequenas movimentações da tubulação, pode apresentar fissuras, por onde o material de reaterro passa, e é arrastado pelas águas.
Este processo é muito mais comum em terrenos arenosos, pois além do solo ser constituído de material de granulometria muito fina, o lençol freático quase sempre é aflorante, ou seja, está acima do nível da tubulação de captação das águas pluviais que foi assentada, exercendo portanto, grande pressão de fora para dentro, nestas tubulações.
A Enplan Engenharia e Construtora Ltda, empresa especializada neste tipo de obra, vem há muito tempo desenvolvendo técnica para evitar este grave problema, bastante comum nestas regiões.
Todo processo de assentamento é o mesmo, porém é acrescido um reforço nas juntas das tubulações, com a utilização de mantas geotêxtis.
Esta técnica, além de garantir a execução do serviço, pois evita a ocorrência de infiltrações, funciona também como dreno, ou seja, permite a passagem da água, mas retém o material de reaterro, melhorando com isso as condições locais, principalmente onde o lençol freático é aflorante.

A manta geotêxtil é um material cuja propriedade hidráulica o torna substituto de filtros de areia convencionais, pois com sua estrutura porosa, tem elevada permeabilidade, mas evita o carreamento de partículas para o interior da tubulação. É um produto resistente à tração, ao rasgo, à punção e ao estouro, tem ótima interação com os diversos tipos de solo, e é resistente à intempéries.

(L. G. Alves)