sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A arquitetura no Brasil: algumas mudanças!

Há tempos que acostumamos em ver novos e bons projetos sendo feitos pelo mundo a fora e por aqui somente obras de concreto geralmente no estilo "neoclássico" um tanto quanto similares e de mau gosto. São projetos pouco elaborados, sem atender as necessidades específicas de cada morador e que em geral demonstram certa falta de estilo arquitetônico por parte dos compradores. O fato que muitos desses tipos de construções estão em obras no momento e muitas outras virão, mas em geral estão deixando de ser a maioria. Esse é um fato muito bom, pois mostra o novo estilo de comprador que prefere projetos menores, mais arrojados e de bom gosto arquitetonicamente. Melhorando também a cara da cidade de São Paulo. É o caso do novo projeto do arquiteto Isay Weinfeld, o Edifício 360 ° que acaba de ganhar o cobiçado premio Future Projects Awards, da revista inglesa Architectural Review. Esse é um dos prêmios de maior importância na Inglaterra, e de extrema repercussão mundial.


O projeto foi vencedor não apenas na categoria para projetos residenciais, mas também “overall winner”, o melhor entre todas as categorias. É constituído de apartamentos com metragem entre 120m² e 250m² e com valores variando entre R$500 mil e R$1,5 milhão. Preços esses não muito altos se compararmos com os demais da região que em geral é Vila Madalena e Alto da Lapa. Pode-se ver que aos poucos essa nova qualidade de compradores procurando algo novo, com grande chance de valorização, bom gosto arquitetônico e ambientes mais agradáveis. Escritórios como Triptyque, Grupo SP, Gui Mattos e Andrade Moretti são os principais inovadores em São Paulo, tendo também alguns outros espalhados pelo país como a nova parceria Conceb e Chapman Taylor, abrindo em Balneário Comburiu a sede brasileira de um escritório de renome em toda Europa. Enfim vemos uma nova cara surgindo nas cidades brasileiras e esperamos que o conceito entre os compradores mude tão ou mais rápido que o esperado.

(L. M. Alves)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Trânsito: quem é prioridade?

Mais uma vez entraremos nesse tema tão atual e cada dia mais comentado nos jornais e revistas. O que antes eram problemas isolados de algumas cidades grandes do pais, hoje começa a ser visto até em cidades de médio porte.
Muito disso se dá pela cultura automobilística brasileira. Desde a entrada das grandes fábricas no Brasil por volta dos anos 50 até então, o brasileiro adquiriu o hábito de sempre recorrer ao automóvel para qualquer uma de suas necessidades diárias.
O problema e que para resolver isso as prefeituras acabam, por ingenuidade, falta de conhecimento, cultura do carro ou pressão das grandes empresas automobilísticas, construindo mais vias, viadutos, alças de acesso, dentre outros. O que em muitos casos não resolve muito, apenas aumenta o trânsito.
Para ilustrar isso vamos analisar o que ocorreu nos últimos anos num dos mais importantes congressos de engenharia de tráfego do mundo, em Washington. Nesse evento, cada ano, é eleita a melhor obra de melhoria de tráfego em áreas urbanas, e os campeões tem sempre algo em comum: diminuir as vias possíveis de tráfego dos carros. Em 2006, quem levou foi a cidade de Bogotá, que criou um sistema corredores de ônibus sofisticado, diminuindo a fluxo de carros e deixando toda região central completamente servida de acessos por transporte publico, sem a necessidade gigantescos gastos de metro. Em 2007 foi a vez de Seul, capital da Coreia do Sul que implodiu toda uma via feita sobre um rio da cidade, transformando toda margem num grande parque restringindo o acesso dos veículos. O ano de 2008 houve um empate entre Paris e Londres. A capital francesa foi escolhida por colocar bicicletários por toda cidade com aluguéis muito baratos, havendo uma diminuição muito significativa do tráfego na região central. A medida adotada por Londres foi a taxa de transito (chamada no Brasil de pedágio urbano). A capital inglesa ficou com o centro bem descongestionado. Ja nesse ano, quem ganhou foi Nova Iorque, que restringiu o acesso de veículos numa região cheia de grandes avenidas na cidade e construiu um parque, tirando de vez a possibilidade de tráfego no local.
Observando todos esses casos fica bem claro que a solução não esta no aumento da capacidade de suportar veículos, e sim na diminuição da quantidade de veículos, gerando um ambiente agradável e bem atendido pelo transporte publico.
Curitiba, uma cidade modelo para os padrões brasileiros, começa a se deparar com discussões a respeito. Um novo projeto que deve começar a ser construído em 2010 prevê enterrar uma boa parte do sistema de transporte "cidade-modelo" idealizado em 1970 com a construção do metro. Cerca de 19 dos 90 quilômetros de canaletas de ônibus antigos devem ser transformados em bulevares e parques lineares.


As obras devem ser feitas para 2017, porem podem ser entregues antes caso a cidade de Curitiba seja uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Serão 22 quilômetros de linha de metro, com 21 estações.
Fica a torcida para que as cidades brasileiras passem a ver o pedestre e ciclista com mais importância e melhorem os transportes públicos principalmente nas regiões centrais para diminuir ao máximo o fluxo de veículos particulares e aumentando os serviços do transporte publico.

(L. M. Alves)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Noroeste: o bairro ecológico pioneiro!

A capital brasileira, Brasília, ganhará em breve um bairro totalmente ecológico. Esse é um projeto pioneiro no Brasil e no mundo.
A idéia é que a ecologia faça parte do dia-a-dia de cada morador com a captação de energia solar (economizando até 70% da energia do bairro), coleta seletiva de lixo (com uma área central próxima reservada para o tratamento específico para cada tipo de lixo), reutilização da água em cada prédio, entre outros.
Ele se localiza no final da asa norte e deverá ter cerca de 250 hectares com 220 blocos residenciais e 140 comerciais, com capacidade para cerca de 40 mil habitantes. Será feita sob cada bloco um grande estacionamento para os comerciantes e moradores, além de vagas também para visitantes.


Além do projeto do bairro, será feita uma revitalização do parque Burle Marx com a implantação de ciclovias que ultrapassam os limites do parque ligando com cerca de 100 km o bairro a W3 Norte e a W9.
É uma idéia muito importante para viabilizar esse tipo de construção no Brasil, já que em média custa 5% a mais mas pode gerar uma economia de 30% durante a utilização. Em Brasília haverá o limite de altura das edificações de 6 andares, para respeitar o planejamento urbanístico da cidade.
O projeto já foi encaminhado ao Ministério Público para análise e foi muito bem aceito pela vice-procuradora-geral de justiça, Maria Aparecida Donati Barbosa. Durante a cerimonia de apresentação do projeto houve apenas o questionamento sobre a utilidade pública do Noroeste, já que o bairro não será acessível a todos (apesar do governador afirmar ser um bairro para a classe média). O trânsito na capital também foi tema, já que deverá sofrer um aumento considerável de carros.
Aguardamos agora o obtenção das licenças necessárias para enfim iniciarem-se as obras desse que pode impulsionar as construções ecológicas no país.

(L. M. Alves)