domingo, 20 de dezembro de 2009

Enchentes em São Paulo: algumas causas

Todo ano, quando chega o verão, o paulistano já espera os males causados pelas chuvas intensas. Alguns projetos estão sendo executados e não podemos deixar de aponta-los, como a limpeza dos afluentes dos grandes rios, reurbanização em regiões de córregos e dos lagos, entre outros. Mas o atraso na construções de piscinões e o pouco caso dado à dragagem do Tietê, podem ser apontados como as causas principais durante as chuvas - também acima da média - ocorridas até o momento em São Paulo.


Com todos estes acontecimentos, ficamos pensando como a cidade mais rica da América do Sul pode sofrer tanto com problemas simples já resolvidos até em cidades com muito menos recursos mundo afora. Isso acontece devido a uma série de problemas que juntos dão esse resultado visto todos os anos.
A cidade já começou o problema muito antigamente com as mudanças feitas nos rios Tietê e Pinheiros, que perderam toda a área de várzea, ocupada na sequência por construções e pelas avenidas marginais. Além disso temos uma falta de organização das administrações públicas que historicamente não acompanham o crescimento da cidade dando importância às algumas regiões centrais e a bairros nobres. Com isso uma ocupação desordenada ocorreu e continua ocorrendo ao redor da cidade, nas regiões dos córregos afluentes dos rios e próximos à lagoa.
Outro problema é a impermeabilização do solo da cidade. Como basicamente temos as ruas com revestimento asfáltico, e em geral toda área urbana já construída, perde-se muito o fator impermeabilização.
A limpeza dos rios seria também algo relevante. A represa Billings foi projetada para servir de saída para água dos rios, e ainda gerar energia ao descer toda serra do mar. Com a poluição dos rios perdeu-se essa capacidade e a água do rio só é enviada aos lagos da zona sul controladamente durante as chuvas de grande volume. Caso fossem rios limpos aumentaríamos o controle durante os verões mais chuvosos.
Enfim, pode-se ver que para acabar de vez com esse problema precisamos de um plano mais abrangente, com grandes projetos de drenagem, limpeza de rios, urbanização em áreas afastadas, entre outros. Vale lembrar que há obras sendo feitas no momento, como a reurbanização das áreas próximas às lagoas, e limpeza dos córregos. Porém piscinões devem ser feitos com antecedência, a dragagem correta deve ser retomada pois, mesmo que sejam invisíveis para um ano eleitoral, são de extrema importância. Com essas e outras medidas, precisamos mudar essa imagem clara de São Paulo sempre tendo administrações focadas nas áreas ricas, e pouco social.
Outra esperança vem do Laboratório de Hidráulica da Escola Politécnica. Uma pesquisa chefiada pelo professor José Rodolfo Martins tenta criar um asfalto poroso que ajudaria a drenar parte da chuva. Segundo ele, o asfalto teria a capacidade de drenagem próxima à da areia de praia. Caso essa pesquisa gere frutos, este seria um grande aliado para acabar de vez com os problemas de enchentes da cidade.
Nos resta agora torcer por um verão não tão chuvoso (apesar de parecer que não será) e para que as medidas necessárias para remediar o atraso em obras e dragagem, sejam feitas. Torcer para que todas as promessas de obras sejam realmente feitas, e esta cidade, de tamanha importância econômica para o Brasil, não sofra mais esse tipo de problema básico.

(L. Alves)

sábado, 5 de dezembro de 2009

Análise da produção da estrutura do Viaduto de Millau

Descrição da obra

Nome do empreendimento: Viaduc de Millau;
Empresa responsável: Eiffage TP;
Segmento de mercado: a empresa Eiffage TP atua na construção de obras de estrada, linha de bonde e na construção de pontes;
Empreendimento: Ponte estaiada apresentando um pilar com altura de até 245m e vãos repartidos como a seguir: 6x342m e 2x204m. Largura do tabuleiro: 32m;
Sistemas construtivos:

• Pilares: concreto moldado no local
• Tabuleiro: peças de aço pré-fabricadas montadas no local
• Mastros: aço pré-fabricado




Métodos construtivos


Montagem dos pilares:
Os pilares foram construídos todos ao mesmo tempo a fim de otimização de tempo de construção. Eles foram moldados no local com formas deslizantes. Os pilares são vazios para economia de concreto e razões estruturais (o concreto no centro do pilar quase não participa da resistência ao momento que é a mais crítica). A fôrma exterior era fixada sobre trilhos e com ajuda de êmbolo era elevada de 4 em 4 metros. A fôrma interior era elevada com a grua montada junto com o pilar. Na foto a seguir pode ver-se em amarelo abaixo da forma os trilhos com a ajuda dos quais a fôrma era levantada.

A imagem abaixo mostra a esquematização das formas.


O posicionamento minucioso das fôrmas era realizado graça a aparelhos GPS que permitiam ter uma precisão de 5mm na colocação das fôrmas. Esse ponto foi crucial para a realização desses pilares dado a altura apresentada por eles.
Um problema importante que apareceu para montar esses pilares foi o sol batia sempre do mesmo lado o isso causava uma dilatação do concreto de um lado do pilar. Para não considerar esses efeitos os pilares foram construídos tortos para que ficassem retos no final.

Construção do tabuleiro: Quando abriu a licitação para essa obra, o projeto já estava pronto mas ele deixava pendente à construtora os métodos construtivos. O originalidade da Eiffage TP foi de montar um projeto de tabuleiro de concreto e um com aço a fim de comparar as duas alternativas.
Resultou que a solução do tabuleiro aço foi escolhida para as seguintes razões:

-A estrutura ficou mais leve e mais fina (36.000 toneladas para a solução aço e 120.000 toneladas para a solução concreto);

-O tempo de construção foi diminuído;
-Mais segurança na realização da obra (pré montagem em usina, lançamento desde plataforma, somente 4% de trabalhos em elevação);
-Diminuição do númeo de estais e da importância da fundações;
-Redução da altura do tabuleiro (4,20m para a solução aço contra 4,60m para a solução concreto);
-Redução dos custos;

A realização das peças de aço foi realizada pela empresa Eiffel Construction Métallique situada no nordeste da frança. Foi usado aço da alta resistência (DI-MC 460) para permitir a realização da um tabuleiro mais esbelto. Para atender a demanda e os prazos a empresa adquiriu novas máquinas para automatizar o processo de soldagem, isso pediu uma formação especial dos empregados da empresa e uma industrialização do processo de construção. Abaixo segue a imagem da máquina de soldagem.


Essa máquina permitiu também uma grande regularidade na qualidade das peças realizadas.
Para a peça central na qual são encorados os estais foram usadas chapas mais especas para garantir uma resistência suficiente. As peças assim pré-fabricadas foram levadas até o viaduto e foram montadas no local. O esquema da seção do tabuleiro está representado a seguir.


A montagem das peças foi realizada dos dois lados da obra e as peças foram lançadas ao mesmo tempo, trecho por trecho, em cima dos pilares. A peça central (amarelo) era montada na usina e levada pronta no canteiro. As outras peças (pré-fabricadas na mesma usina) eram montadas e soldadas com o caixão central em centrais de soldagem onde os operários trabalhavam em série.
Tinha a central norte e a central sul que montavam as duas metades do tabuleiro que iam se encontrar no meio do viaduto. Na foto a seguir visualiza-se a central de montagem e soldagem do tabuleiro, essa atividade funcionava em quanto a parte já pronta que acabava de sair dessa central era lançada sobre os pilares.




No esquema de cima foi representada em amarela a area onde se soldava as peças do tabuleiro. Ao mesmo tempo os trechos prontos estão sendo empurrados sobre os pilares.

Lançamento do tabuleiro:
Para evitar o abaixamento da frente do tabuleiro foi montado na frente o mastro com os estais para garantir a rigidez suficiente para a realização da atracagem nos pilares.

O tabuleiro foi montado por trechos. Após a realização de um trecho ele era empurrado em cima dos pilares com êmbolos. Essa etapa foi a mais crítica da construção. Esse processo foi integralmente monitorado por computadores. Foi necessário garantir um funcionamento coordenado de todos os êmbolos para (1) levantar o tabuleiro a fim de descolar ele dos pilares e (2) empurrar o tabuleiro evitando demais esforços nele.
Abaixo esta esquematizado o êmbolo usado para o empurramento do tabuleiro. Na primeira fase o êmbolo azul e o vermelho eram movimentados em sentido contrario para levantar o tabuleiro. O mais vez que o tabuleiro não estava mais em contato com os pilares (para evitar esforços horizontais nos pilares) ele era empurrado com os êmbolos azuis. Todo esse processo era realizado com monitoramento de computador que controlavam os deslocamentos e, com a ajuda de vários captores, registravam as tensões na estrutura.

Para garantir que o tabuleiro atracasse bem, foram montados trilhos na cabeça dos pilares a fim de direcionar o tabuleiro para uma boa atracagem. Os trilhos são mostrados na figura abaixo.


Nessa fase de lançamento o capacidade de deformação do aço foi muito importante porque o tabuleiro nessa fase teve que agüentar grandes deformações e esforços como pode ver-se na foto a seguir.


Os pilares vermelhos metálicos que podem ser observados nessa fotos foram pilares provisórios necessários para o lançamento do tabuleiro e para garantir a estabilidade dele até a montagem dos estais. Vê-se como foi já falado os dois mastros da frente norte e da frente sul do tabuleiro que foram montados sobre os tabuleiro e empurrados com o tabuleiro. Os outros mastros foram montados após a junção dos dois tabuleiros e amarrados nos pilares com cabos protendidos.

Montagem dos mastros: Os mastros foram pré-fabricados e montados direitamente em cima do tabuleiro com uma grua que pode observar-se na foto a seguir.


Em seguida eles foram engastados no tabuleiro e fixados nos pilares com cabos de aço para transmitir os esforços de tração devidos à dissimetria dos carregamentos.


Análise Crítica

Essa obra necessitou a elaboração de soluções construtivas novas. Uma industrialização importante dos processos como uma monitoração dos processos foram os dois pontos cruciais da construção dessa obra.
Através dessa obra foi demonstrado a competitividade do aço a frente do concreto e as grandes vantagens apresentados por esse material. Para garantir uma qualidade rigorosa do tabuleiro ele foi fabricado em usina com processos automatizados que permitiram regularidades nas características das peças realizadas e um ótimo controle na realização.
Os prazos a serem respeitados foram muito apertados nessa obra e a montagem em serie do tabuleiro com processos racionalizados permitiu atender a esses prazos como também o permitiu a racionalização na construção dos pilares.

(J. Le Guevellou)

sábado, 24 de outubro de 2009

Modelagem simples em 3Ds Max 9

Modelagem simples de uma cadeira, em 3D.
Uma idéia inicial para auxiliar no aprendizado.



Por: Tiago Reis
Web: http://tiagoreis.com/

****************************************************

Modelagem de uma cadeira a partir de um Box e com isso comece a desenvolver seus objetos em 3D

Neste tutorial vamos desenvolver com conceitos básicos de modelagem no 3Ds Max 9 uma cadeira simples, mais que lhe dará base para desenvolver diversos objetos como mesas e outros objetos inorgânicos.
É bom lembrar que o 3Ds Max 9 apesar de ser uma ferramenta completa ela não é indicada para modelagem de precisão e sim desenvolvido para englobar todos os aspectos do processo de criação, o 3Ds Max possui ferramentas indispensáveis para estúdios de efeitos visuais, cinema, games e publicidade, por tanto, não vamos se prender em medidas neste tutorial, ficará livre para modelar com suas medidas, apenas seguindo as proporções de sua visão.
Vamos modelar os polígonos através, dos vertes e pelas faces do polígonos, usando os modificadores Extrude e Bridge. Extrude é modificador que faz um corte na superfície do objeto criando um degraus solido sobre o mesmo ou para dentro do mesmo. Bridge é um modificador cria um ponte solida entre duas ou mais faces, utilizando parâmetros que possibilita alterar o formato da ponte
Para desenhar qualquer objeto em 3D é necessário localizá-lo no espaço tridimensional. Como no Plano Cartesiano, que você já deve ter visto nas aulas de álgebra do colégio, utilizamos em 3D os eixos X e Y para localizar a posição do objeto horizontalmente e verticalmente, já adicionando o eixo Z ao sistema de coordenadas, podemos definir um ponto em qualquer lugar do espaço tridimensional, por tanto podemos definir que o eixo Z como profundidade.
Para criar objetos 3D é indicado buscar referencias do mundo real, por tanto, tentar encontrar imperfeições e passar para o objeto em 3D, buscando transformar o mais real possível.


01 - Clique no botão Box na caixa de ferramentas Object Type e altere os Parâmetros length Segs para 7, Width Segs para 7 e Height Segs para 1 com isso inserimos novos segmentos ao Box.
02 - Clique e arraste na vista Perspective para desenhar, ao soltar clique quando encontra a espessura ideal para o Box. Para visualizar os segmentos pressione a tecla F4.
03 - Clique com o botão direito do mouse sobre o objeto Box criado. Selecione no menu que aparecerá sobre o mesmo a opção Convert to Editable Poly para converter para polígono.
04 - Clique em Vertex para modelar pelos os pontos do objeto. Podemos também usar para modelagem os Edge (linhas), Border (Bordas), Polygon (polígonos) e o Element (todo objeto).
05 - Na vista Top selecione clicando e arrastando sobre os pontos. Agora pressione a Tecla W do teclado para movimentar os Vertex usando as setas verdes e vermelhas.
06 - Modele os pontos de forma simétrica como mostrada na figura acima. Para Conferir clique Na vista Perspective, pressionando o botão central do mouse + Alt mudando o anglo de visão.
07 - Selecione no menu mostrado no passo 4 Polygon. Na vista Perspective selecione com a tecla Ctrl os polígonos indicado acima. Verifique se não selecionou a polígonos a traz do Box.
08 - Clique com o botão direito do mouse sobre o objeto e ao aparecer o menu selecione a opção Extrude clicando a esquerda da palavra Extrude onde o ícone é uma janela.
09 - Selecione a opção Group e altere a opção Extrusion Height observando pela vista Perspective os resultados do Extrude até encontrar a altura ideal, ao encontrar clique em OK.
10 - Em seguida selecione com a tecla Ctrl os polígonos das pontas como repetindo o processo anterior de Extrude só que não pressione OK. Estamos quase terminando o encosto.
11 - Continuando o passo anterior pressione no botão Apply e ajuste para o tamanho observando a figura acima. Pressione novamente no botão Apply e depois no botão OK.
12 - Selecione com a tecla Ctrl os polígonos indicado na figura. Para melhor visualizar movimente o anglo de visão da vista Perspective com a tecla Alt + o botão central do mouse.
13 - Após selecionado os dois polígonos, pressione o no botão Bridge (ponte), indicado na figura. Na janela Bridge Polygons altere o numero de Segmenters para 3 e pressione OK.
14 - Selecione os seguimentos que estão indicados na figura usando a tecla Ctrl. Mude o anglo de visão da vista Perspective para facilitar a seleção usando Alt + botão central do mouse.
15 - Em seguida pressione novamente o botão Bridge para criarmos uma ponte entre os dois seguimentos selecionados que servira de encosto para as costas de sua cadeira.
16 - Altere o numero de Segmenters para 10, Taper para -1.96 e caso queira mais suavidade aumente o Smooth e clique em OK quando chegar ao resultado esperado. Observe a figura.
17 - Em seguida vamos criar o encosto para cabeça de sua cadeira, selecionando os Vertex na vista Font como indicado na figura. Certifique que selecionou todos os pontos indicados.
18 - Depois de selecionado os vertex (pontos), pressione a tecla W para ativar o Scale e para movimentar-los, clique e arraste para cima sobre a seta verde no eixo Y.
19 - Altere a visualização da vista Perspective, de modo que podemos visualizar a parte inferior da cadeira, usando a tecla Alt + botão central do mouse pressionado.
20 - Selecione os seguimentos com a tecla Ctrl pressionada, verificando se não selecionou segmentos da parte de cima da cadeira. Clique em Extrude como mostrado na figura.
21 - Ajuste a Extrusion Height observando a vista Front até encontra o tamanho desejado, lembrando que o comprimento total é um pouco maior, pelo fato de faltar o encosto para os pés.
22 - Clique no botão Apply ajustando novamente o comprimento e clique em Apply mais uma vez para determinar o comprimento total do pé da cadeira. Clique em Ok para finalizar.
23 - Selecione os seguimentos indicado na figura para criar uma ponte entre eles que servira de apoio para os pés. Mude o anglo de visão verificando se selecionou seguimentos extras.
24 - Clique no botão Bridge e ajuste os Segmenters para 1, Taper para 0 e clique no botão OK para finalizar sua cadeira. Para visualizar pressione a tecla F9 para renderizar.

(T. Reis)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Instituto Butantan faz a ponte científica entre Brasil e Moçambique

O Instituto Butantan é o mais importante centro de pesquisas biomédicas na história do Brasil. Desde a peste bubônica de 1900 em Santos até os dias atuais o instituto veio ajudando e crescendo junto com o país e o Estado de São Paulo. Com expansão do café, foi um importante aliado com a criação de diversas vacinas e soros para as serpentes que simbolizavam uma grande ameaça na época. Inicialmente com o cientista Vital Brazil e diversos outros nomes importantes no passado, o instituto conta hoje com um complexo de três museus, um parque e um hospital na Zona Oeste da capital paulista, é responsável por cerca de 80% dos soros e vacinas produzidos no Brasil.



O instituto agora trabalha na produção de soros contra o veneno de serpentes de Moçambique. Isso porque uma iniciativa chamada Pró-Africa, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico, iniciada em 2006 começa a gerar frutos.
Até agora foram investidos R$200.000,00, sendo 30% do instituto (vinculado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo) e os outros 70% do governo federal. A idéia é produzir numa primeira etapa soro para três gêneros de serpentes: Bitis (três espécies), a Naja (duas espécies) e Dendroaspis (mambas/duas espécies).
Hoje, tanto os humanos quanto os animais têm muitos problemas com serpentes no país africano, ocorrendo uma quantidade considerável de mortes anualmente.

Toda produção de soros e vacinas serão doados a Moçambique, já que o país não dispõe de infra-estrutura para a produção. Até o momento três pesquisadores da Universidade Eduardo Mondlan, em Maputo, já foram capacitados pelo instituto e espera-se que o país consiga autosuficiência na produção de soros e vacinas de serpentes. Pretende-se também construir um museu da história natural no local, além de um serpentário aos moldes Butantan.
A iniciativa conta com o apoio de todo governo de Moçambique, do Ministério de Ciência e Tecnologia brasileiro e de todo corpo diplomático do Brasil na África. E tem como responsável pelo projeto o médico veterinário Wilmar Dias da Silva.

(L. M. Alves)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Conceitos gerais e o projeto de iluminação em um restaurante

A iluminação em restaurantes envolve vários aspectos, dependendo de características tanto das construções em si como também do serviço prestado pelos mesmos. Isso ocorre porque a iluminação influencia diretamente o comportamento das pessoas em restaurantes; por exemplo, estabelecimentos do tipo fast food apresentam iluminâncias altas e consideravelmente constantes, já que isso estimula os clientes a ficarem pouco tempo e terem refeições rápidas, enquanto em locais que oferecem serviços à la carte – como o Koban – deve prevalecer um projeto de iluminação mais complexo, a fim de que seus clientes sintam-se convidados a passarem mais tempo no interior (espera-se aconchegante) desses.


Típico restaurante Mc Donalds e o restaurante Koban de Moema, em São Paulo

Assim, o projeto de iluminação (e seu aproveitamento tanto da luz natural como de fontes artificiais) é muito importante para criar uma identidade do restaurante e também ambientações diversas em seu interior – por mais próximas e semelhantes que essas sejam. Então, serão analisados os principais fatores que compõem a iluminação de restaurantes, capazes de provocar sensações e estímulos, além do principal (prover de luz adequadamente seus espaços internos, principalmente os dedicados aos alimentos e ao estar das pessoas).
Diferentes tons de luz são importantes para provocar sensações de profundidade e melhor definição das formas dos objetos e ambientes, e devem ser combinados e planejados cuidadosamente com as sombras, para que criem os contrastes desejados e evitem ofuscamentos; ausência de sombras, iluminância muito uniforme e luz difusa deixam com aparência plana os objetos e a paisagem em geral, como será comentado a seguir, e por isso não são os aspectos mais interessantes ao presente estudo.
A luz, como aponta Cláudia Torres (Lume Arquitetura edição 25), tem seu desenho formado pelos seguintes itens: intensidade, cor e contraste.
Em restaurantes como o Koban, que apresentam padrão relativamente elevado, o contraste é uma das ferramentas que devem ser melhor trabalhadas; segundo Gordon, “a percepção do mundo a nossa volta é baseada na quantidade de contraste: as diferenças entre claro e escuro.
Contraste é um estímulo que influencia o humor e a produtividade. (...) Em vez de se questionar quanta luz é necessária a um ambiente ou atividade, projetistas de iluminação deveriam se perguntar quanto contraste é requerido.”
A intensidade está relacionada com a quantidade de luz captada por nossos olhos (que por sua vez é influenciada por muitos outros fatores, tanto do ambiente em si quanto dos componentes relativos às ditas fontes de luz), e também é baseada na experiência – por exemplo, se dizemos que o dia está muito claro, com alta intensidade de luz natural, temos por base que a maioria dos dias apresenta claridade inferior.
Entre outras, variações bem planejadas de intensidades de luz podem servir para destacar ambientes, separá-los, conectá-los, definir hierarquias entre os mesmos ou sugerir direções dentro do recinto.

Por último, a cor é muito mais do que um simples jogo de comprimentos de ondas, sendo somados, subtraídos, filtrados, emitidos e refletidos; a cor pode ser responsável por induzir muitas emoções e sentimentos aos seres humanos, influenciando os sistemas psicológico e até mesmo o fisiológico. Segundo Cláudia Torres, que teve como referências Richard Gerber e o manual da IES Lighting, as cores ditas “quentes”, como vermelho, laranja e amarelo, provocam excitação e sensações de alegria, luminosidade, aquecimento e estímulo, enquanto as cores ditas “frias” – como azul, verde e violeta, transmitem sensações de equilíbrio, calma, tranqüilidade e suavidade, mas também podem gerar sono e ambientes sonolentos e depressivos, se não utilizadas de maneira adequada.

Temos, também, os tipos dominantes das fontes de luz, e que são determinantes “à psicologia” apresentada pelos ambientes; segundo Gordon: iluminação geral e difusa, iluminação focada, e iluminação pulverizada. Richard Kelly, especialista em projetos de iluminação, comenta esses três tipos no livro acima citado: “A iluminação geral e difusa não cria sombras, e minimiza formas e volumes. Enfim, desmaterializa [o ambiente]. Reduz a importância de objetos e pessoas. (...)Geralmente é tranqüilizador e repousante”; diante disso, conclui-se que esse tipo de iluminação não pode prevalecer em restaurantes como o que está sendo estudado.
Para Kelly, a iluminação com focos de luz “pode induzir movimento, separa o importante do sem importância, fixa o olhar, diz às pessoas o que elas devem olhar, cria interesse e comanda a atenção; organiza, marca o elemento mais importante, cria um senso de espaço e pode sistematizar a profundidade do ambiente através de uma seqüência de centros focados”.
Ainda, segundo Kelly, a iluminação pulverizada “é como um céu estrelado, e essa composição de brilhantes excita os nervos ópticos... estimula o corpo e o espírito e encanta os sentidos. Cria um sentimento de vivacidade, alerta a mente, desperta a curiosidade. É a mais excitante forma de iluminação; estimula e desperta apetites de todos os tipos; candelabros em ambientes de jantar ou marquises em teatros, por exemplo, tiram vantagem desse fato.”
Então, percebe-se que esses dois últimos citados devem ser combinados inteligentemente para que o projeto de iluminação propicie os efeitos desejados e portanto se configure como um sucesso.
O balanço de iluminação, utilizando os elementos já citados, é o que formará a identidade dos ambientes quanto à iluminação.
Ambientes com baixo contraste são pobres na criação de estímulos e, aliados a uma iluminação mais geral, criam impressões de espaços públicos. Por sua vez, espaços com altos contrastes de iluminação podem evocar específicos humores e emoções, focos de luz criam contrastes que captam a atenção das pessoas – um único holofote iluminando algo ou alguém em um palco é seu exemplo extremo; iluminações específicas em determinados pontos, criando destaques e também um jogo de sombras, são muito importantes para se sugerir impressões de um espaço “privado” e aconchegante, aspecto fundamental a restaurantes mais finos.
Por fim, a iluminação não uniforme causa impressões de agradabilidade, e pode ser classificada como mais “amigável, sociável e interessante.”


(G. Serra)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Lixo inglês: de volta pra casa

Nesse ultimo mês de julho todo o mundo ficou indignado com o lixo inglês, mais de 1400 toneladas, que foi enviado ao Brasil. Até a semana passada nada tinha sido feito, apenas a prisão de 3 supostos responsáveis na Inglaterra, que em pouco tempo foram soltos. Porém na ultima sexta-feira, dia 7 de agosto, esses 90 contêineres foram enviados de volta ao país de origem, cheios de lixo orgânico e hospitalar, que após todo esse tempo já tinham sinais claros de putrificação e crescimento de larvas.


Porém esse episódio é uma ótima oportunidade para se pensar na gestão do lixo do nosso país. O fato de termos muito espaço físico, pouca vontade política e pouca fiscalização atrapalhou o desenvolvimento de políticas de reciclagem mais abrangentes.
Sabe-se que na maioria das capitais e grandes cidades brasileiras, estamos chegando num limite de capacidade de lixo e em breve pode ocorrer um caos do lixo no país. Isso porque apenas uma pequena parte dos lixos é reciclado e pouco se faz para a substituição das sacolinhas plásticas de supermercado, as maiores vilãs na decomposição do lixo orgânico.
A cidade de São Paulo, por exemplo, produz 12.000 toneladas de lixo por dia. Tem bons índices de reciclagem de papelão e alumínio, porem deixa a desejar em diversos outros materiais de reciclagem muito fácil e sem necessidade de tecnologia de ponta. Com isso perde-se em todo o país em média R$ 4,6 bilhões por ano, dinheiro que poderia ser economizado caso houvesse uma política de reciclagem descente.



Alguns materiais recicláveis como papelão e latas de aço são importados todos os anos para reciclagem em terras tupiniquins. E materiais de ótima reciclagem não são aproveitados, como por exemplo o vidro (100% reciclável). No Brasil 95% desse material é enterrado junto aos materiais orgânico, mostrando que estamos muito atrás de países como o Japão que recicla 55,5% de seus vidros.
De todos esses dados podemos perceber que reciclagem é algo bom e sustentável, e além disso algo que pode gerar muito dinheiro (ou economizar muitos gastos). O assunto deve ser tratado com mais seriedade pelos políticos e pelo povo, desde separação de lixo nas residências (sem esquecer de entregar em postos de reciclagem, pois caso contrário é trabalho a toa) até investimento publico/privado em usinas de reciclagem.

(L. M. Alves)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Projeto Ônibus Brasileiro a Hidrogênio entrega primeiro veículo em São Paulo

Acaba de começar o mês de julho, famoso pelos altos índices de poluição devido à baixa umidade nos grandes centros urbanos. Nessa época na cidade de São Paulo por exemplo, têm-se a índices pluviométricos baixíssimos (índice zero em 2008), aumentando os problemas de saúde da população.
Como tentativa de diminuir esse problema o Ministério de Minas e Energia, junto à Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU/SP) investiram R$31 milhões no Projeto Ônibus Brasileiro a Hidrogênio, que justamente nesse 1° de julho entrega seu primeiro ônibus limpo. Esse projeto foi custeado pelo governo federal junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Pnud.
O veículo apresentado hoje foi fabricado no Brasil, depois de cerca de um ano de testes. A idéia é reduzir a poluição nos grandes centros urbanos, já que 90% destes poluentes são emitidos por veículos e, dentre eles, os movidos a diesel são os mais problemáticos. O ônibus funciona com um sistema de células de hidrogêneo e baterias de energia elétrica, sistema este que permite aumentar a economia e racionalizar melhor a energia gerada.


O veículo tem capacidade para 63 pessoas e prevê-se que seu trajeto seja de 33 quilômetros na capital. Essa é uma ótima notícia para a cidade com maior frota de ônibus do mundo. Esse e mais 5 ônibus limpos serão entregues e começam a circular na cidade como forma de teste.
Fica aqui um certo alívio aos moradores dos grandes centros urbanos, sabendo que algo está sendo feito nesse sentido e esperando que no futuro, com preços acessíveis, esse tipo de condução limpa possa substituir a frota existente, para termos cidades com melhor qualidade de vida.

(L. M. Alves)

terça-feira, 12 de maio de 2009

Planejamento urbano inteligente na Alemanha

Basta lembrar dos filmes e livros com previsões de futuro a algumas décadas atrás que vemos diversas idéias que não deram e não darão certo muito provavelmente. Uma multidão de carros flutuantes seguindo ruas suspensas por entre a cidade cheia de mega torres era uma dessas previsões que a cada dia podemos observar que nunca sairão da ficção.
Isso porque nos deparamos agora com o "Planejamento Inteligente". É o nome dado ao tipo de urbanismo não tão novo em teoria mas que recentemente foi implantado numa periferia da cidade alemã Freiburg, próxima a fronteira com a Suíça.
Esse novo bairro é completamente sem carros. Há nele apenas uma rua principal por onde passa o transporte urbano e algumas ruas ao redor com acesso de veículos, o restante é liberado apenas para pedestres e bicicletas. O morador pode ter seu veículo, porém deve comprar sua vaga em uma das duas garagens localizadas nas extremidades do bairro, que saí por um valor de aproximadamente €30.000,00.

Vauban: um bairro planejado com inteligência

O resultado disso é que 70% dos moradores de Vauban, na periferia de Freiburg, não têm carros. E 57% são novos moradores que venderam seus carros para se mudarem para lá.
Esse é com certeza um novo passo nas áreas urbanas de todo mundo, que por bem ou por mal, terão que reduzir o numero de veículos. Hoje estima-se que em média na Europa, 12% dos gases causadores do efeito estufa são gerados pelos automóveis. Em algumas cidades dos Estados Unidos, essa porcentagem chega a ser muito maior, 50%.
Vauban tem cerca de 5.500 habitantes em uma área de aproximadamente 2,6 quilômetros quadrados. É a experiência mais avançada de áreas urbanas com baixa utilização de automóveis que deve servir de exemplo pelo mundo afora. Nele ocorre um tipo de comércio feito de pequenos estabelecimentos ao longo dos calçadões ou em uma rua principal, e não mega shopping centers distantes rodeados por estradas.

(L. M. Alves)

terça-feira, 5 de maio de 2009

Açucar branquinho e mais saudável

Desde meados de 2005, usinas de açucar começaram um processo de mudança de tecnologia ao utilizar ozônio ao invés de enxofre no clareamento do açucar. O novo processo passou a ser usado inicialmente na Paraíba, e hoje já é comum encontrar usinas em todo Nordeste, em São Paulo, Minas Gerais e no Centro-Oeste.
É um projeto realizado pelo engenheiro Raimundo Nonato Coelho Silton, paraibano que entre novembro e dezembro de 2004 realizou o teste piloto de seus experimentos conseguindo a produção de um açucar mais saudável reduzindo a quantidade de enxofre a zero e reduzindo também grande percentual de cal.
Para esse processo é necessário um equipamento fabricado pela Gasil, empresa financiadora da pesquisa. Esse equipamento é capaz de gerar 7,2kg por hora e utiliza uma mistura de oxigênio com argônio. Durante a produção agora é relevante a ausência do mau cheiro causado pelo enxofre, além da diminuiçao dos custos.


Apesar de saudável e economicamente viável, ainda não foi possível notar diferença nas exportações. Espera-se que em pouco tempo o açucar brasileiro tome um espaço maior internacionalmente, até que empresas pelo mundo todo passem a usar essa nova tecnologia.

(L. M. Alves)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Troca de experiências entre Brasil e China

Na primeira metade do mês de abril, veio ao Brasil uma delegação de chineses representando a província de Guizhou, uma espécie de estado chinês com cerca de 40 milhões de habitantes.
Devido a grande migração para os centros urbanos na China, junto a uma lei que obriga as províncias a resolverem os problemas de habitação e construírem casas que tenham um minimo de 15m² por morador, esse corpo de arquitetos, engenheiros e membros do governo veio a São Paulo para entender e aprender sobre a política habitacional do CDHU, em todo estado.
Eles ficaram impressionados com a qualidade das moradias, já que estas estão sendo projetadas com revestimento cerâmico e aquecimento solar, além do tamanho das casas, em média 63,5m², tamanho que segundo eles, seria impraticável na China. Também se impressionaram com o modo de pagamento das moradias, já que lá o cidadão não compra e sim paga um aluguel ao governo até o final da vida e após o falecimento, não tem direito ao imóvel para a família.
Nesse encontro eles assistiram uma palestra de cerca de 30 minutos e receberam uma cartilha traduzida em mandarim com todo detalhamento do programa.
Nessa viagem ao Brasil além de visitarem a Secretaria de Habitação te São Paulo, também passaram por uma Universidade do Paraná que tem projetos na área de infra-estrutura elétrica e hidráulica.

(L. M. Alves)

domingo, 12 de abril de 2009

A estrada Brasil-Bolívia-Chile

Em setembro de 2009 deve ser entregue a estrada que ligará o porto de Santos aos portos de Arica e Iquique, no Chile. Esta estrada veio de um acordo entre os países Brasil, Bolívia e Chile e contará com a contribuição desses países com a construção de algumas estradas e aumento e melhoria de outras.
A estrada terá 4.700 quilômetros de comprimento e desses: 233 serão em território chileno, 1,6 serão na Bolívia e o restante no Brasil. Esta nova ligação abrirá portas para as o comércio brasileiro com os países do Oceano Pacífico, o comercio chileno com o Atlântico, além de extrema importância para a Bolívia que passará a ter possibilidade de comércio mais fácil para todo o mundo.


Para o Brasil espera-se com muito otimis
mo o aumento de exportação de grãos, que são em grande parte produzidos no centro-oeste. O país ganhará muito em competitividade na exportação de soja para a China, já que hoje gasta até 10 vezes mais em transporte que os Estados Unidos, e com a nova estrada poderá reduzir em até 7 vezes a rota marítima atual. Nos resta aguardar a conclusão da obra para ver as consequências na economia dos três países, além da possibilidade de viagens turísticas por terra mais viáveis na América do Sul.

(L. M. Alves)

terça-feira, 31 de março de 2009

Vila ecológica na Amazônia

Um grupo multi disciplinar do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia), com apoio financeiro do HABITARE (Programa de Tecnologia de Habitação) e da FINEP, está trabalhando no projeto e construção de uma vila ecológica protótipo no meio da floresta, com a intenção de viabilizar uma moradia ecológica e sustentável que economize energia, utilize bem a iluminação natural e a ventilação da região e seja à base de materiais locais diminuindo ao máximo a utilização de materiais de fabricação poluidora.
Esta vila está sendo construída na sede da Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus. A principio serão oito unidades, cada uma delas com 42,92 m² construídos com diversos tipos de materiais, entre eles: bambu, cimento, areia, barro, madeira e telhas cerâmicas. O bambu será usado como estrutura de painéis pré-moldados, criado a partir de estudos de engenharia dos materiais, sendo basicamente uma tipo de taipa de bambu revestida com cimento. Esse revestimento tem a função de proteger o bambu da ação do tempo e da humidade, além de ajudar na função estrutural.
Além da estrutura da casa serão feitos tratamentos de esgoto da região e sistema de coleta e aproveitamento da água das chuvas. A estimativa é que cada habitação custe cerca de R$12.000,00, o que viabilizaria muito mais a construção naquela região. O bambu utilizado será o Bambusa vulgaris vittata, vulgarmente chamado de bambu comum, mesmo não sendo o melhor bambu sul-americano estrutural. Isso devido a grande quantidade desse tipo de bambu encontrado no local, se comparado com o Guadua (melhor bambu estrutural sul-americano).
O projeto conta com arquitetos, engenheiros, biólogos, químicos, entre outros, e com a coordenação da arquiteta Marilene G. Sá Ribeiro. Além da parceria da empresa local J. V. Pires de Almeida.
A cartilha do projeto pode ser adquirida por download, e foi projetada pela coordenadora Marilene e pelo engenheiro Ruy Alexandre.

(L. M. Alves)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Leonardo da Vinci e as enchentes

Todo mundo conhece o gênio de Leonardo da Vinci, mas poucos sabem que ele foi o engenheiro hidráulico que resgatou a província de Milão da calamidade das inundações dos cursos d’água que a atravessam.
Depois da enchente que em 16 de março, ocorreu em São Paulo, parece claro que o sistema de escoamento das águas de chuva e dos rios da cidade na funciona muito bem.
Mas como resolver esse problema que atrapalha a cidade?

Ninguém sabe, ma
s em 1492, quando a América estava sendo descoberta, na Itália, Leonardo da Vinci já sabia muito sobre esse assunto. Ele ficava dias nas margens dos cursos d’água colocando pedras de diferentes formas e tamanhos para ver como o fluxo da água mudava.
Os pescadores observavam e o achavam doido, mas não sabiam que ele estava escrevendo um tratado sobre o fluxo d’água e seus parâmetros físicos (Del Moto e della Misura Dell’ acqua, LEONARDO DA VINCI) infelizmente ainda não traduzidos em português. Também em 1515, ele começou a direção da construção de uma obra faraônica que foi acabada somente após muitos anos, em 1777.
Leonardo projetou um sistema de canais e eclusas altamente tecnológicos que resolveu o problema das enchentes que atrapalhavam Milão e a província.
A função dos c
anais e das eclusas era de, além de possibilitar o acesso de barcos a Milão, criar uma rota alternativa e mais controlável para o fluxo da água que chegava dos Alpes até o rio Pó, evitando as inundações das áreas urbanas. Esse sistema, com as devidas manutenções está ainda em utilização e em pleno funcionamento.
O território de São Paulo é muito diferente de Milão e, sobretudo a época é não é a mesma: agora a consideração dos problemas ambientais é indispensável para avaliar qualquer hipótese de intervenção no território. Todavia estudando aquele exemplo e o tratado que Leonardo da Vinci escreveu, talvez seja possível encontrar segredos úteis para chegar a uma solução viável.


(Paola Bianchi)

domingo, 15 de março de 2009

O nível do mar com o aquecimento global

Muito se fala hoje em dia do aquecimento global. Apesar de bem tarde, é bom que pelo menos agora o mundo está dando mais valor nesse assunto, que tende a ser cada dia mais comum e mais fácil de se observar as consequências.
Há não muito tempo atrás muitos pesquisadores fizeram projeções para o futuro do nível do mar com um aumento de cerca de cinco a dez centímetros no próximo século. O fato que é o problema é bem mais grave do que se pensava.
Segundo a revista "Nature Geoscience", uma pesquisa feita por uma equipe de pesquisadores da Universidade da Flórida, dirigida por Jianjun Yin, diz que o nível do mar deve subir na verdade cerca de meio metro (50 centímetros) até 2100 no Atlântico Norte. O interessante disso é que segundo os pesquisadores, o aumento para o resto do mundo é inferior, chegando a 25 centímetros.
Esse aumento maior na região da "Big Apple" (ao redor de Nova York) se deve ao arrefecimento das correntes marinhas no Atlântico Norte.
O problema deve então tornar-se ainda mais grave para os países baixos europeus que já sofrem com o nível do mar elevado a muito tempo e terão que aumentar seu diques ainda mais. Já a costa americana, principalmente a grande cidade de Nova York, deverá começar a pensar em contenção do avanço das águas.
Nada é certeza nesse assunto, o fato é que as projeções para o futuro não cansam de no alertar para uma diminuição da produção de poluição urgente para assim tentar diminuir as consequências trágicas no futuro. Já que toda fonte de poluição que conhecemos hoje, sabe-se que com um pouco de investimento, pode ser diminuída e em alguns casos até eliminada.

(L. M. Alves)

domingo, 8 de março de 2009

As construtoras e a crise

Em meio a essa grande crise internacional, muitas grandes empresas perderam e continuam a perder muito dinheiro, causando uma grande diminuição da produção em qualquer que seja o tipo de atividade.
No Brasil, as empresas de construção civil estão sofrendo muito por isso. O fato é que há pouco tempo atrás, empolgadas com o "boom" imobiliário do país, as construtoras lançaram ações na bolsa e captaram muito dinheiro para impulsionar ainda mais o mercado imobiliário com novas construções.
Até aí tudo bem. O problema é que muitas grandes empresas fizeram isso simultaneamente, e adquiriram muito dinheiro. Sem ter como investi-los em muitas obras de imediato, ocorreu uma alta procura por terrenos nas grandes cidades. Com o aumento da procura, consequentemente aumentou-se os preços dos terrenos, que mesmo assim foram comprados.
A crise explodiu em todo mundo e com isso o crédito para a construção civil caiu muito, impossibilitando as construtoras de novas obras, acabando com a receita das empresas que agora não têm como cobrir os gastos já que a demanda é baixíssima e quase todo dinheiro captado das ações já foi investido em terrenos.
A venda dos terrenos também não resolveria, já que estes não têm procura e por isso estão valendo pouquíssimo.
Em meio a essa bagunça toda, e essa dificuldade intensa, fica difícil imaginar uma melhora desse setor a curto prazo. Que nos faz torcer por uma melhora no crédito o quanto antes para assim pensarmos na recuperação dos danos perdidos.

(L. M. Alves)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A arquitetura no Brasil: algumas mudanças!

Há tempos que acostumamos em ver novos e bons projetos sendo feitos pelo mundo a fora e por aqui somente obras de concreto geralmente no estilo "neoclássico" um tanto quanto similares e de mau gosto. São projetos pouco elaborados, sem atender as necessidades específicas de cada morador e que em geral demonstram certa falta de estilo arquitetônico por parte dos compradores. O fato que muitos desses tipos de construções estão em obras no momento e muitas outras virão, mas em geral estão deixando de ser a maioria. Esse é um fato muito bom, pois mostra o novo estilo de comprador que prefere projetos menores, mais arrojados e de bom gosto arquitetonicamente. Melhorando também a cara da cidade de São Paulo. É o caso do novo projeto do arquiteto Isay Weinfeld, o Edifício 360 ° que acaba de ganhar o cobiçado premio Future Projects Awards, da revista inglesa Architectural Review. Esse é um dos prêmios de maior importância na Inglaterra, e de extrema repercussão mundial.


O projeto foi vencedor não apenas na categoria para projetos residenciais, mas também “overall winner”, o melhor entre todas as categorias. É constituído de apartamentos com metragem entre 120m² e 250m² e com valores variando entre R$500 mil e R$1,5 milhão. Preços esses não muito altos se compararmos com os demais da região que em geral é Vila Madalena e Alto da Lapa. Pode-se ver que aos poucos essa nova qualidade de compradores procurando algo novo, com grande chance de valorização, bom gosto arquitetônico e ambientes mais agradáveis. Escritórios como Triptyque, Grupo SP, Gui Mattos e Andrade Moretti são os principais inovadores em São Paulo, tendo também alguns outros espalhados pelo país como a nova parceria Conceb e Chapman Taylor, abrindo em Balneário Comburiu a sede brasileira de um escritório de renome em toda Europa. Enfim vemos uma nova cara surgindo nas cidades brasileiras e esperamos que o conceito entre os compradores mude tão ou mais rápido que o esperado.

(L. M. Alves)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Trânsito: quem é prioridade?

Mais uma vez entraremos nesse tema tão atual e cada dia mais comentado nos jornais e revistas. O que antes eram problemas isolados de algumas cidades grandes do pais, hoje começa a ser visto até em cidades de médio porte.
Muito disso se dá pela cultura automobilística brasileira. Desde a entrada das grandes fábricas no Brasil por volta dos anos 50 até então, o brasileiro adquiriu o hábito de sempre recorrer ao automóvel para qualquer uma de suas necessidades diárias.
O problema e que para resolver isso as prefeituras acabam, por ingenuidade, falta de conhecimento, cultura do carro ou pressão das grandes empresas automobilísticas, construindo mais vias, viadutos, alças de acesso, dentre outros. O que em muitos casos não resolve muito, apenas aumenta o trânsito.
Para ilustrar isso vamos analisar o que ocorreu nos últimos anos num dos mais importantes congressos de engenharia de tráfego do mundo, em Washington. Nesse evento, cada ano, é eleita a melhor obra de melhoria de tráfego em áreas urbanas, e os campeões tem sempre algo em comum: diminuir as vias possíveis de tráfego dos carros. Em 2006, quem levou foi a cidade de Bogotá, que criou um sistema corredores de ônibus sofisticado, diminuindo a fluxo de carros e deixando toda região central completamente servida de acessos por transporte publico, sem a necessidade gigantescos gastos de metro. Em 2007 foi a vez de Seul, capital da Coreia do Sul que implodiu toda uma via feita sobre um rio da cidade, transformando toda margem num grande parque restringindo o acesso dos veículos. O ano de 2008 houve um empate entre Paris e Londres. A capital francesa foi escolhida por colocar bicicletários por toda cidade com aluguéis muito baratos, havendo uma diminuição muito significativa do tráfego na região central. A medida adotada por Londres foi a taxa de transito (chamada no Brasil de pedágio urbano). A capital inglesa ficou com o centro bem descongestionado. Ja nesse ano, quem ganhou foi Nova Iorque, que restringiu o acesso de veículos numa região cheia de grandes avenidas na cidade e construiu um parque, tirando de vez a possibilidade de tráfego no local.
Observando todos esses casos fica bem claro que a solução não esta no aumento da capacidade de suportar veículos, e sim na diminuição da quantidade de veículos, gerando um ambiente agradável e bem atendido pelo transporte publico.
Curitiba, uma cidade modelo para os padrões brasileiros, começa a se deparar com discussões a respeito. Um novo projeto que deve começar a ser construído em 2010 prevê enterrar uma boa parte do sistema de transporte "cidade-modelo" idealizado em 1970 com a construção do metro. Cerca de 19 dos 90 quilômetros de canaletas de ônibus antigos devem ser transformados em bulevares e parques lineares.


As obras devem ser feitas para 2017, porem podem ser entregues antes caso a cidade de Curitiba seja uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Serão 22 quilômetros de linha de metro, com 21 estações.
Fica a torcida para que as cidades brasileiras passem a ver o pedestre e ciclista com mais importância e melhorem os transportes públicos principalmente nas regiões centrais para diminuir ao máximo o fluxo de veículos particulares e aumentando os serviços do transporte publico.

(L. M. Alves)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Noroeste: o bairro ecológico pioneiro!

A capital brasileira, Brasília, ganhará em breve um bairro totalmente ecológico. Esse é um projeto pioneiro no Brasil e no mundo.
A idéia é que a ecologia faça parte do dia-a-dia de cada morador com a captação de energia solar (economizando até 70% da energia do bairro), coleta seletiva de lixo (com uma área central próxima reservada para o tratamento específico para cada tipo de lixo), reutilização da água em cada prédio, entre outros.
Ele se localiza no final da asa norte e deverá ter cerca de 250 hectares com 220 blocos residenciais e 140 comerciais, com capacidade para cerca de 40 mil habitantes. Será feita sob cada bloco um grande estacionamento para os comerciantes e moradores, além de vagas também para visitantes.


Além do projeto do bairro, será feita uma revitalização do parque Burle Marx com a implantação de ciclovias que ultrapassam os limites do parque ligando com cerca de 100 km o bairro a W3 Norte e a W9.
É uma idéia muito importante para viabilizar esse tipo de construção no Brasil, já que em média custa 5% a mais mas pode gerar uma economia de 30% durante a utilização. Em Brasília haverá o limite de altura das edificações de 6 andares, para respeitar o planejamento urbanístico da cidade.
O projeto já foi encaminhado ao Ministério Público para análise e foi muito bem aceito pela vice-procuradora-geral de justiça, Maria Aparecida Donati Barbosa. Durante a cerimonia de apresentação do projeto houve apenas o questionamento sobre a utilidade pública do Noroeste, já que o bairro não será acessível a todos (apesar do governador afirmar ser um bairro para a classe média). O trânsito na capital também foi tema, já que deverá sofrer um aumento considerável de carros.
Aguardamos agora o obtenção das licenças necessárias para enfim iniciarem-se as obras desse que pode impulsionar as construções ecológicas no país.

(L. M. Alves)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Uma alternativa para a construção de casas populares

Repare nessa casinha ao lado. Um tanto bonita não?! Pois é, se trata de uma casa feita industrialmente com estrutura de metal (sistema estrutural light steel framing) e paredes de OSB ou gesso acartonado (conhecido como dry-wall) para acomodar uma família.
Esse é um ótimo exemplo de construção rápida, leve e principalmente, limpa. No Brasil, devido à falta de pessoal qualificado para a montagem, ainda não se considera tão viável esse tipo de construção.
Esse problema pode ser resolvido se pensarmos em obras sociais com alto número de repetições, tornando-se então um processo de produção em série, valendo a pena o treinamento dos trabalhadores.
Foi assim que em Indaiatuba, no interior de São Paulo, uma construtora local investiu no desenvolvimento de casas populares de construção "seca". O projeto é feito nos moldes usados pela Caixa Econômica Federal.
Se trata de uma construção simples e rápida, podendo ser entregue em 45 dias após o início da fundação.
Inicialmente prepara-se a base da casa, adicionando as tubulações de água e esgoto nos devidos lugares. Enquanto isso já pode começar a montagem da estruturas no canteiro de obra. A estrutura é montada com utilização de soldas, arrebites e parafusos.
Começa-se então a montar a estrutura no local final e muito rapidamente temos o esqueleto da casa pronto. O aço é muito resistente e com uma casa leve como essa, o resultado final será completamente seguro.
Antes de pensar no revestimento das paredes deve-se pensar em cobrir a casa. Uma manda de subcobertura e as telhas põe fim a esse problema.
Com a utilização de chapas OSB ou gesso acartonado específico para cada tipo de utilização moldam-se as divisórias internas e externas da casa. Sem deixar de lembrar que as tubulações hidráulicas e elétricas são feitas simultaneamente, acopladas no interior das paredes secas.
Batentes de portas e janelas, e acabamentos finais. Pronto. Temos uma casa limpa sem gastar nenhum bloco, simples assim.
Esse é um processo que deve ser organizado, planejado e feito minuciosamente, mas que pode ser muito bem utilizado pelas prefeituras e governos estaduais e federais, para construir habitações dignas e funcionais para toda população carente.

(L. M. Alves)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

E começa a Copa do Mundo de 2014

Pelo menos do ponto de vista da Engenharia, a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, já começou desde o ano passado. As possíveis cidades que receberão os jogos já começaram a se preparar e enviaram semana passada à CBF o relatório com os projetos para construção ou ampliação dos estádios. Ao todo são 18 cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Salvador, Rio Branco, Manaus, Belém, Maceió, Recife, Florianópolis, Goiânia, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Natal e Campo Grande. O comum é que a FIFA escolha apenas entre 8 e 10 cidades, porém será permitido que participem 12 nesse caso. Algumas cidades já tem o posto garantido, são elas: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte. Um relatório divulgado pelo pelo Sindicato de Arquitetura e Engenharia (Sinaenco) no final de outubro do ano passado dizia que nenhum estádio do país atendia aos padrões da FIFA. Assim, apressou-se para que houvesse um planejamento que incluísse ampliações e adequações de acordo com o exigido pelo órgão.
Por fim, só resta esperar que os melhores projetos sejam escolhidos e que possam levar tanto desenvolvimento para as suas regiões quanto mostrar para o mundo um belo espetáculo no futebol e na engenharia.

Clique no link abaixo para ver mais fotos:
Estádios da Copa (Globo Esporte)

(G. Sória)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Que calor! E a Europa congelando...

Já está chegando no sétimo dia seguido de interrupções do envio de gás da Rússia aos países europeus. Após uma tentativa frustrada de religamento, Rússia e Ucrânia trocam acusações sobre a causa do não ligamento e envio do gás, já que há dois dias houve um certo "acordo" entre as partes.
O fornecedor diz que o país de passagem está roubando o suposto gás enviado. O país onde as tubulações estão instaladas rebate dizendo que nada foi enviado, e quem perde com tudo isso é o povo principalmente dos países mais pobres do leste europeu.

Aumento da procura de lenha eleva os preços na Bulgária

O pior ainda não aconteceu, já que todos os países estão economizando e ainda têm energia suficiente para as necessidades básicas por mais alguns dias.
Lendo isso daqui, hemisfério sul, país tropical, nós ficamos sem ter muita noção desse problema. Até porque todos os hábitos são diferentes, as construções feitas de maneiras diferente.
Pois é. Uma residência num lugar frio desse deve ter todas as artimanhas necessárias para manter todo e qualquer calor gerado dentro da edificação. Além de nunca desperdiçar.
Hábitos como o de usar o fogo do fogão também para aquecer a água, construir com alvenarias maciças e mais espessas e ter muito cuidado em cada porta e janela para evitar ao máximo a saída de calor são comuns por lá. Se dá melhor quem inventa mais e consegue métodos de manter a casa aquecida com gasto menor de energia.
O problema é que o frio é maior que a habitual por lá e sem o sistema de aquecimento a gás já comum em todas as casa, a população não consegue manter a temperatura superior aos 21 graus, de acordo com a norma europeia, gerando um desconforto geral aos usuários. No Brasil, a temperatura mínima para o conforto do usuário é 24 graus, já que não somos tão habituados ao frio.
Há ainda alguns casos de morte.

Nos resta esperar que esses problemas políticos se resolvam, afinal são vidas humanas em jogo.

(L. M. Alves)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Utilização de Manta Geotêxtil nas Redes de Drenagem

É comum, principalmente em regiões litorâneas, depararmos com crateras, ao transitarmos pelas ruas pavimentadas.
O motivo quase sempre é o mesmo; infiltrações nas juntas das tubulações das redes de drenagem e de captação de águas pluviais. O material do reaterro das valas de assentamento destas tubulações escapa pelas pequenas juntas entre os tubos, formando vazios sob a pavimentação, que em seguida cede, aparecendo então estas crateras no pavimento.
A explicação é muito simples. Normalmente, os tubos de concreto utilizados nas redes de drenagem e captação de águas pluviais, após assentados, tem suas juntas – encaixe do tipo ponta e bolsa – rejuntadas com argamassa feita com cimento e areia. Porém esta argamassa é “rígida” , o que após a acomodação ou pequenas movimentações da tubulação, pode apresentar fissuras, por onde o material de reaterro passa, e é arrastado pelas águas.
Este processo é muito mais comum em terrenos arenosos, pois além do solo ser constituído de material de granulometria muito fina, o lençol freático quase sempre é aflorante, ou seja, está acima do nível da tubulação de captação das águas pluviais que foi assentada, exercendo portanto, grande pressão de fora para dentro, nestas tubulações.
A Enplan Engenharia e Construtora Ltda, empresa especializada neste tipo de obra, vem há muito tempo desenvolvendo técnica para evitar este grave problema, bastante comum nestas regiões.
Todo processo de assentamento é o mesmo, porém é acrescido um reforço nas juntas das tubulações, com a utilização de mantas geotêxtis.
Esta técnica, além de garantir a execução do serviço, pois evita a ocorrência de infiltrações, funciona também como dreno, ou seja, permite a passagem da água, mas retém o material de reaterro, melhorando com isso as condições locais, principalmente onde o lençol freático é aflorante.

A manta geotêxtil é um material cuja propriedade hidráulica o torna substituto de filtros de areia convencionais, pois com sua estrutura porosa, tem elevada permeabilidade, mas evita o carreamento de partículas para o interior da tubulação. É um produto resistente à tração, ao rasgo, à punção e ao estouro, tem ótima interação com os diversos tipos de solo, e é resistente à intempéries.

(L. G. Alves)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Feliz 2009! E com menos enchentes...

Olá meu caro leitor! O ano está apenas começando...
Estamos entrando juntos em 2009 e torcendo juntos também para que, mesmo com tantas "sacanagens" do ser humano ao planeta Terra, a natureza não se revolte tanto contra nós, por mais que mereçamos.
Acontece que se viu na última década uma boa quantidade de "avisos naturais", e já devíamos ter percebido que já passou da hora de pensarmos mais no todo do que em nós mesmos.
Demagogia a parte, vamos falar de um problema mais específico, e que ocorre tanto pela fúria da natureza diante de tanto descaso com o planeta, quanto pela falta de vontade dos políticos e falta de educação da população: as enchentes de rotina no verão dos paulistanos.
Mal começou o ano e já podemos ver nos noticiários os problemas causados pelas chuvas diariamente na cidade de São Paulo. E como dito acima, temos três causas prováveis, que juntas levam a população de áreas como a zona norte - afetados no último dia de 2008 - a perderem tudo em suas casas.
Uma primeira causa já comentado acima seria a respeito das mudanças climáticas. Essa porém temos que entender, afinal são milênios de destruição do planeta e agora não nos resta mais nada além de torcer para o impossível: não piorar. Já que mudanças de políticas energéticas estão longe de serem feitas.
Uma segunda causa, talvez a mais importante, é a falta de força política para essas mudanças. Por mais que se veja uma certa vontade dos governantes quanto ao rebaixamento da calha do rio Tietê e à limpeza de alguns córregos da cidade, o descaso ainda prevalece. Há regiões em que se promete obras a mais de 50 anos e até hoje pouco se viu. O caso de bairros da zona norte afetádos dias atrás.
O córrego do Ipiranga na zona sul por exemplo, parece que tem problemas desde a proclamação da independência e nunca terminam as obras.
A esperança é que no futuro se planeje mais a resolução dos problemas da cidade sem influências políticas, e sempre focado na melhoria da qualidade de vida da população.
Há ainda uma terceira causa. A falta de educação do povo da cidade e da grande São Paulo. O que mais se vê durante as enchentes são lixos flutuando pela cidade. E o pior é que esses lixos chegam tanto de córregos das grandes favelas, como os de classe média. Um descaso generalizado com a cidade e que pouco se fala nos noticiários. Poderiam sim haver políticas de conscientização mas mais do que isso, melhor educação ambiental. Atitudes muito simples podiam ajudar e muito a cidade.
Como se vê é um problema mais complexo do que parece, porém com um pouco de vontade de todos os lados, poderia ser minimizado diante de tantos problemas a resolver nesta cidade gigante e tão rica em diversidade cultural.
Um ótimo ano novo a todos.

(L. M. Alves)