terça-feira, 30 de julho de 2013

Enfim, novos corredores de ônibus em São Paulo

Nos últimos anos a população de São Paulo se acostumou a ver as promessas de construção de corredores de ônibus das campanhas políticas serem esquecidas e substituídas por novas promessas de linhas de metrô/monotrilho, sem datas para entrar em operação.
O fato é que ao se analisar construções de corredores de ônibus simples, corredores BRT, montotrilhos e metrô, deve-se deixar bem claras as diferentes demandas e relações custo-benefício. Este próprio blog já fez certa comparação em uma tabela de uma publicação de 2009São tipos diferentes de transporte que podem se complementar, porém não devem ser tratados como opções diversas para o mesmo problema. 
É extremamente prejudicial à cidade substituir um corredor de grande urgência e importância - como o da Av. Washington Luís na zona sul de São Paulo - por monotrilhos sem datas de entrega, como fez o ex-prefeito Kassab durante sua gestão. Neste sentido, a atual gestão parece mais sensata e com objetivos claros de melhoria e implantação de corredores de ônibus. 

Corredor norte-sul (www.folha.com.br)

O atual plano de transportes municipal prevê construção de cerca de 220km de corredores e criação de linhas noturnas, alem de implantar uma rede BRT em parte desses corredores. 
Inicialmente, estão sendo implantados corredores simples, apenas com sinalização nas vias - conforme mostra a figura - e já é possível ver um aumento expressivo na velocidade dos ônibus. Até o fim de 2013 planeja-se a implantação do Bilhete Único Mensal, que deve ajudar a balancear a lotação, diminuindo levemente a quantidade de passageiros nos horários de pico e aumentando consideravelmente a quantidade nos horários de pouco movimento.
Vale lembrar que o governo estadual continua seus planos de construção de monotrilho e metrô, e os corredores vêm para completar esse plano de mobilidade da cidade. Das obras, além de investimento municipal, R$1,7bi serão investidos pelo Governo Federal.
Paralelamente a isso, movimentos populares clamam por passagens mais baratas, e se possível, transporte sem catracas. Essa ideia, por mais distante que possa parecer, tem bases sólidas e já foi implantada diversas cidades, inclusive em uma de mais de 4 milhões de habitantes na China. Os preços das passagens na cidade são realmente muito altos se comparado com a qualidade do transporte e o salário mínimo. 
Se essa constante luta por passagens mais baratas continuar a obter bons resultados, se o bilhete único vier e funcionar juntamente com o uso irrestrito do metrô, se os investimentos com metrô pelo governo estadual se manter e aumentar como se propõe, e se os investimentos municipais e federais nos corredores de ônibus continuarem dessa maneira, é bem provável que num futuro não distante, São Paulo será uma cidade muito melhor para se locomover.
E se os programas pró-pedestres e pró-ciclistas feitos pela prefeitura continuarem, em breve teremos a maioria dos motoristas mais educados e prudentes. Logo, será também uma cidade de locomoção muito mais prazerosa e segura.

(L. M. Alves)