sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A nova ponte de Manaus não permite bicicletas...

Essa é só uma nota sobre o absurdo ocorrido em Manaus. Uma ponte, feita com dinheiro público - ou seja, dinheiro de todos - está restrita apenas a quem tem carro. Por que será que os governantes da região acham que uma pessoa que trafega com um veículo que ocupa mais espaço, é capaz de matar e de polui o ar, é mais importante que uma pessoa que pratica esporte ao se locomover sem poluir e sem trazer perigo a ninguém? Atitude lastimável.
Vale lebrar que falamos de duas cidades planas onde na teoria a bicicleta pode ser vista como um meio de transporte de acesso de quase todos.
Basta esperar que forças populares - ou excesso de infrações - mudem essa regra sem sentido, para que todos possam aproveitar da ponte, tanto como um caminho rápido entre Manaus e Iranduba, quanto como um ponto turístico a se visitar.




(L. M. Alves)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ciclofaixa de Moema: mais qualidade de vida pra São Paulo

No sábado, dia 5 de novembro de 2011, passou a funcionar a ciclofaixa de Moema, em São Paulo. Uma rota pequena, interligada por ciclo-rotas perpendiculares proporcionaram mais segurança à vida dos ciclistas e pedestres, e estão re-organizando o trânsito na região. É uma obra pioneira na cidade por ter sido feita compartilhando a área dos veículos e alterando algumas faixas e áreas de estacionamento.
Em nota de alguns jornais durante os primeiros dias
de funcionamento, é dito que nesse início de funcionamento pode ser observado certa confusão entre os motoristas. Porém, como todo novo modelo de trânsito implantado: há um certo tempo de adaptação. A associação de moradores da região protesta contra a ciclofaixa - uma prova clara de que o país não está preparado para ser primeiro mundo, ou não tem educação suficiente para tal - porém, a princípio, a CET mantém o funcionamento normalmente e programa reuniões para discussões e possíveis adaptações.
A implantação dessa ciclofaixa foi de uma coragem memorável da prefeitura, que mesmo deixando totalmente de lado a implantação da malha de corredores de ônibus, têm se mostrado favorável às ciclofaixa, tanto para prática de esportes em horários não comerciais, como para transporte - agora com a ciclofaixa de Moema. As fotos mostram a ciclofaixa, próxima aos padrões usados em cidades européias, onde não há separação por guias ou barreiras entre os veículos e as bicicletas, sendo esta feita por sinalização horizontal e vertical, com pinturas no pavimento e placas nas esquinas.

Ciclovia em funcionamento

O comércio da região também reclama e afirma ter diminuído o movimento. Algo totalmente sem fundamento até o momento: é impossível saber se realmente afetará o volume de compras das lojas, tanto pra mais como pra menos, em apenas 3 dias úteis de funcionamento. É simplesmente um medo - ou um repúdio - ao que é novo, mesmo que este 'novo' possa melhorar a vida de todos. Os motoristas que protestam contra, simplesmente não querem mudar o que já está ruim, mesmo que seja pra melhor, caso tenham que arriscar piorar um pouco mais.
O fato é que está melhor, e melhor pra todos. Falta apenas um pouco de coragem e visão aos moradores e comerciantes.
Assim como falta essa mesma coragem aos políticos para implantar os corredores e aumentar a qualidade do transporte de quem, por opção ou necessidade, resolve usar o público e coletivo, ao invés do privado e individual.


Ciclovia em horário de pico

Da mesma maneira que falta um pouco mais de coragem aos políticos para implantarem mais e mais ciclofaixas, melhorando a qualidade de vida da população, e beneficiando os que fazem suas viagens diárias gerando zero carbono e ocupando um espaço justo na via. Esperamos que mais modificações como essa sejam feitas por toda a cidade e que menos atitudes individualistas e pró-carros como a da associação ocorram. Talvez assim caminhemos pra uma cidade melhor de se viver onde um simples 'andar de bicicleta' não seja algo apenas para os mais corajosos.

(L. Alves)

domingo, 10 de abril de 2011

Os modais do transporte público e seus "paitrocinadores"

Uma questão poucas vezes analisada a respeito do transporte público é a dos stakeholders extra-usuários (e que acabam por ferrar com esses últimos a longo prazo, pra utilizar palavras leves porém claras); estamos falando dos fornecedores de material rodante e demais equipamentos, das construtoras a executar a infraestrutura, e dos políticos que concebem e gerenciam todos esses projetos.
Muitas vezes temos a impressão de que o metrô é solução única pro caos dos transportes paulistanos, e essa opinião é muito reforçada pelos homens públicos, seja para ganhar votos, seja por outros motivos.
Enfim, o ponto principal a se tratar é o seguinte: o lobby do metrô é muito forte, e o lobby de sistemas de ônibus mais eficientes e racionalizados é bem fraquinho aqui em SP (apesar do know how existente, seja em empresas ou universidades, que é de notável e reconhecida qualificação).
Vamos aos fatos: o quilômetro de metrô da linha amarela em terras paulistanas (de excelente qualidade, seja ressaltado) andou custando entre R$250mi e R$300mi (considerando-se túneis, estações, material rodante, sinalização e todos os demais sistemas). O custo do BRT (Bus Rapid Transit - sistemas racionalizados de ônibus) sai de 5 a 10 vezes menos, para uma capacidade transporte de aproximadamente a metade (em termos de passageiros em cada sentido por hora - e sim, ocupando espaço nas cidades). Mesmo assim, diante de uma altíssima - e ainda crescente - demanda e da Copa do Mundo que se aproxima (início e conclusão de linhas novas do metrô não apresentam tempo hábil de projeto e execução a este evento), este modal (sobre trilhos e subterrâneo) continua completamente em voga, ao contrário dos BRT's (plenamente exequíveis em poucos anos, ao custo já comentado), que são poucas vezes tratados.
Outro aspecto a se discutir é o de que os fabricantes dos componentes dos ônibus são de dois tipos: indústrias de carroceria (Marcopolo, Caio e outras) não apresentam expressividade no cenário político paulistano, e a ineficiência do atual sistema (velocidades médias de 10 km/h, ou menos, nos horários de pico) lhes garante boas vendas (são necessários mais ônibus pra transportar os pobres paulistanos, a esse ritmo de tartaruga); já os fornecedores do conjunto mecânico (chassi, motor e transmissão), além das vendas garantidas pela ineficiência, e apesar de maior expressividade (Ford, Mercedes-Benz, Volkswagen, Volvo/Scania, e outros - o que as garantiria um lobby de maior significância), ainda são fabricantes de automóveis. Explica-se: sistema público absurdamente lotado (tanto ônibus como trens) é igual a aumento das vendas de carros (conclusão, pra que vender 15.000 ônibus, com baixa margem de lucro, a cada 8 anos, se no mesmo período pode-se vender milhões de automóveis, muitas vezes financiados indefinidamente e altas taxas de juros???). Quem defenderá os ônibus, se além de tudo a percepção da população é a de que só o metrô salva (o que seria verdade, se tivéssemos uns R$60bi pra fazer uns 200km nos próximos 10 anos - nem em conto de fadas isso se concretizaria), e ainda espaço dos automóveis haveria de ser retirado...? Pouquíssimas pessoas e instituiçoes, infelizmente.
Por outro lado, vamos ao metrô (esse é mais fácil de se analisar): políticos que o "executam" ganham votos; construtoras que ganham as licitações (ponto importantíssimo a se analisar posteriormente) ficam satisfeitas por motivos óbvios; gigantes multinacionais americanas (atualmente menos), europeias (francesa, alemã e, mais recentemente, espanhola) e asiáticas (chinesas e coreanas são "ameaças" do futuro próximo nesse mercado, e as japonesas já nos trazem soluções mágicas, e não exatamente baratas, há algumas décadas) ganham contratos mi ou bilionários de fornecimento de dezenas ou centenas de composições, além de elementos de controle. Analisemos então a interação entre políticos e empresas: contratos bilionários proporcionam um ambiente perfeito para políticos eventualmente mal intencionados (quase não há no Brasil seres desse tipo no espaço amostral em questão) favorecerem interesses próprios, dentro das intermináveis brechas que podem aparecer em empreendimentos desse porte - importante observar a histórica relação simbiótica entre grandes empresas (no caso, as construtoras e principais fornecedores) e quadro político, nem sempre benéfica aos pagadores de imposto (cidadãos de bem, que acabam por serem ludibriados). Novamente a pergunta: quem defenderá os sistemas de ônibus racionalizados, nos quais ninguém lucrará indevidamente?
Esse post tratou apenas desse questionamento, sabendo-se que não há uma solução única ao transporte metropolitano, e sim um conjunto delas - equilíbrio entre habitação e postos de trabalho nas cidades e regiões, e um equilíbrio entre transporte sobre trilhos, ônibus, automóvel, a pé, bicicleta, moto e outros.


BRT de Bogotá

(G. Serra)

sábado, 2 de abril de 2011

No Japão: reconstrução de estrada em tempo recorde

No Brasil a burocracia toma conta das obras da Copa do Mundo de futebol de 2014, com atrasos em licitações de obras públicas, falta de licenças ou atraso nos cronogramas de obras privadas. Estamos dando um show de incompetência. Outros agravantes são os confrontos políticos entre dirigentes de clubes, prefeitos e governadores, e os presidentes da CBF e FIFA, dando mais incerteza quanto ao cumprimento dos prazos.



Enquanto isso no Japão, após a ocorrência do terceiro pior terremoto da história, vemos um exemplo de como se fazer obra com qualidade e velocidade. Em Naka, na província de Ibaraki, uma estrada que ligava a região atingida a Tókio teve um trecho de 150 metros completamente destruído. Em apenas 6 dias a estrada foi reconstruída para liberar o tráfego de veículos na região, ajudando os trabalhos de reconstrução de todo o país.
O Brasil deveria aprender um pouco com esse exemplo. Não só as obras da Copa do Mundo de futebol, mas toda obra deveria ter transparência e a velocidade demonstrada no Japão. Se melhorarmos nesse sentido, provavelmente além de qualidade e velocidade, veríamos muito menos desperdício de dinheiro público.

(L. M. Alves)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Parabéns à subprefeitura da Vila Mariana: o pedestre merece respeito

Os moradores da Vila Clementino e Vila Mariana, zona sul de São Paulo, acabam de ganhar um novo modelo de calçadas tornando o bairro ainda mais agradável. Uma obra simples realizada pela subprefeitura que está transformando a cara da região, dando mais respeito aos transeuntes e organizando o transito dos veículos na região. Trata-se de um alargamento dos passeios nas regiões dos cruzamentos, evitando que veículos estacionem irregularmente nas curvas e aumentando consideravelmente a área destinada aos pedestres.


A figura acima representa como estão ficando os cruzamentos do bairro. É uma medida muito simples tomada pelo poder público que causam impactos muito positivos: a área das calçadas nos cruzamentos aumenta em média 65%, serve de proteção e melhora a circulação quando há acumulo de gente aguardando para atravessar.



Vamos esperar também que essas áreas não se encham de camelôs ao longo do tempo e que sirvam também para demonstrar mais claramente aos motoristas quem realmente é preferência.

(L. M. Alves)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Kassab propõe mais obras para o transporte individual

Nesse último dia de janeiro de 2011, segundo uma reportagem publicada na Folha.com, o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), apresentou uma proposta para tentar diminuir o transito na capital e nas cidades de região metropolitana. E pasmem, o projeto se baseia em criar anéis viários e eixos de vias cruzando a cidade, basicamente para melhorar o fluxo do transporte individual.


O projeto usaria as vias existentes na cidade, necessitando de melhorias em alguns pontos específicos com túneis, viadutos e intersecções. Além do rodoanel (em construção), haveriam mais outros 4 anéis com diversas extensões, que segundo eles, reduziria a lentidão em até 35%.
Tudo isso parece muito bonito e simples, o problema é que obras para transporte individual reduzem transito, mas apenas por alguns meses, no máximo um ano. Com o aumento da oferta de vias, as classes sociais em ascensão na região metropolitana, e um preço abusivo de transportes públicos sem qualidade (se você não acreditou? pegue um ônibus pagando R$3,00 na avenida Interlagos, por exemplo, e em horário de movimento que você vai acreditar), em pouco tempo esses anéis estarão lotados e esse trânsito será ainda maior.
São Paulo tem ainda uma proporção de 33% para cada modo de viagem (individual, coletivo e a pé) mas pelo que tudo indica, isso deve mudar em breve, piorando a situação. As calçadas deterioradas como estão, a qualidade dos transportes coletivos despencando, o preço subindo e nenhum projeto de corredor apresentado pela prefeitura são sinais claros do caminho errado que a cidade está tomando.
Vamos esperar que esse projeto não vá pra frente, ou até vá, mas com faixas exclusivas para ônibus nos quatro anéis e nos eixos que cruzam a cidade, além de diversas outras obras de corredores que venham a ser feitas. Talvez um bilhete único sem taxa extra ônibus-metrô e preços especiais para quem usa 2 vezes ao dia de segunda a sexta. Somente com essa mudança de filosofia poderíamos imaginar uma saída para o transito da cidade. Enquanto isso ficamos com essa imagem "bem humorada" do caminho que São Paulo está tomando, com todos esses projetos pouco "coletivos" que vêm sendo feitos.

(L. M. Alves)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Tarifa com aumento acima da inflação: Um roubo!

Esse inicio de ano foi amargo para os moradores da cidade de São Paulo. Além de sofrerem com enchentes, ainda têm que ver a tarifa de ônibus aumentar o preço acima da inflação, para R$ 3,00. Agora os moradores da capital têm o privilégio de dizer que utilizam o transporte mais caro do Brasil.
É um absurdo a justificativa dada pelo atual prefeito, Gilberto Kassab, de que o aumento seria para captar mais recurso e melhorar a saúde e educação. O preço de melhorias em alguns segmentos da administração publica não pode ficar na mão do transporte, muito menos do transporte público.
O cidadão que está indo de carro todos os dias, poluindo muito mais, causando o caos do transito e ocupando um espaço gigantesco da cidade pra se locomover não paga sequer um centavo extra, enquanto o cidadão que sofre nas tempestades para ir de ônibus, ajudando a cidade de diversas maneiras tem que pagar extra por um benefício que nem sequer pediu.
Um absurdo que mostra como a mentalidade dos governantes tem de melhorar. Uma falta de ética que vai ficar marcada nesse governo Kassab.
Pedágio urbano já, com o uso do recurso extra indo direto para melhorar o transporte público e reduzir a tarifa.




(L. M. Alves)