quarta-feira, 26 de maio de 2010

TAV: Rio - São Paulo - Campinas

Pouco mais de 150 depois da inauguração da primeira estrada de ferro no Brasil, o governo federal anuncia a implantação do primeiro trem de alta velocidade (TAV). O objetivo desse projeto é, principalmente, desafogar os tráfegos aéreo, rodoviário e urbano, mas também visa o desenvolvimento regional nos locais onde o trem vai passar em menor velocidade.
O traçado, que deve ter a licitação lançada ainda esse ano, inclui as seguintes estações: Rio de Janeiro (Barão de Mauá), Aeroporto Galeão, Volta Redonda, São José dos Campos, Aeroporto de Guarulhos, São Paulo (Campo de Marte), Aeroporto de Viracopos e Campinas, como mostra a figura abaixo.



A idéia é que sejam oferecidos três tipos de serviços:
Expresso – parando somente nas estações do Rio de Janeiro e São Paulo (Velocidade média de 280 km/h);
Regional de Longa Distância – servindo a todas as estações do traçado (Velocidade média de 210 km/h);
Regional de Curta Distância – atendendo a todas as estações do trecho S. J. dos Campos – Campinas (Velocidade média de 192 km/h).

A previsão é que em 2014, ano em que o TAV já estaria em operação, sua demanda seja de mais de 50% do tráfego Rio-SP entre todos os modais considerados (avião, automóvel e ônibus). O principal motivo dessa grande absorção do mercado são os preços competitivos e o ganho de tempo do TAV em comparação com o modo aéreo, que é o modo dominante atualmente.
A obra deveria estar pronta até a Copa do Mundo de 2014, mas por razões diversas a licitação atrasou e já não será possível atender essa data, dado que a previsão para a construção é de pelo menos 5 anos. No entanto o governo garantiu que o trem estará pronto para os Jogos Olímpicos de 2016.
Os planos do Governo Federal envolvem ainda uma linha ligando Belo Horizonte e Rio de Janeiro e outra ligando São Paulo a Curitiba. Todos esses projetos na área de ferrovias devem levar a um melhor desenvolvimento dos negócios, do turismo e das cidades brasileiras, por meio da maior integração.

Trem de Alta Velocidade Madri-Barcelona



(G. Sória)

sábado, 15 de maio de 2010

Ponte de Wettingen: Uso da madeira, treliças e arcos

O início do uso da madeira de forma racional proporcionou construções mais complexas e pensadas do que as até então encontradas. A ponte Wettingen (Wettingen Brücke) sobre o rio Limmat, na Suíça, é um belo exemplo de grandiosidade e evolução da engenharia. De 1778 e revolucionária no mundo da construção civil.
A obra foi feita pelos irmãos Grubenmann e é notável pelo suporte utilizado. A técnica de sobrepor e parafusar vigas de madeira permitiu que fossem construídos maiores vãos sem a necessidade de tantos pilares de apoio. A ponte Wettingen foi a primeira a possuir um arco verdadeiro utilizando madeira. Com essa tecnologia e a ajuda de projetistas da época, os irmãos construíram um vão de impressionantes 60 metros.
O desenho, dessa e de outras pontes da mesma época, foi feito por John Soane. De 1770 a 1772 ele andou pela Suíça e estudou cerca de quinze pontes. A partir daí fez os seus projetos, que revolucionaram o modo de construir pontes. O projeto original de Wettingen pode ser visto aqui, com transcrição em inglês de todo o texto das plantas. No mesmo link, é possível ver outros projetos de Sir John Soane.
No desenho abaixo podemos observar um pouco mais os detalhes das treliças na planta e do arco na elevação.

Poucas das pontes dos irmãos Grubenmann sobreviveram até os dias de hoje. Não por terem sido mal construídas, projetadas ou por falta de manutenção. Wettingen, por exemplo, foi queimada pelos franceses em uma das expedições napoleônicas na guerra de 1799. Porém o legado dessas pontes foi extraordinário - a tecnologia de mesclar treliças com arcos. Acho que não existe exemplo mais popular do que a Torre Eiffel. É uma pena que a história fez com que essas pontes não existam até hoje, mas é extraordinário que a história nos ensine tanto com projetos e desenhos com mais de 230 anos.

(F. Coutinho)

sábado, 1 de maio de 2010

Praça Roosevelt e Teatro Cultura Artística: reformas à vista

O centro de São Paulo foi visivelmente abandonado por algumas décadas no passado, mas parece que algumas coisas estão mudando. Além dos projetos da Nova Luz e do Mercadão, há também a revitalização da praça Roosevelt e reforma do teatro Cultura Artística. Ambos devem ser finalizados logo após a inauguração do metrô Higienópolis, prometido para o ano de 2011.

Região da praça Roosevelt e Teatro Cultura Artística

A praça deve ser totalmente reformada sendo demolidas algumas das lajes de concreto dando lugar à mais áreas verdes. Serão 450 novas árvores e 4.000 m² de grama plantadas, além da instalação de cerca de 50 bancos, equipamentos de ginástica, novas lixeiras e bicicletários. A obra deve custar R$38 milhões, sendo viabilizada com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento além de uma pequena parcela paga pela prefeitura da cidade.


Praça Roosevelt

Próximo da praça deve ser iniciada a reconstrução do teatro Cultura Artística, palco de grandes apresentações e referência cultural da cidade. O trágico incêndio de 17 de agosto de 2008 destruiu esse legado artístico nacional, onde a única parte que se salvou foi o belo painel de Di Cavalcanti, maior já produzido pelo artista, que deverá ser mantido com destaque pelo novo projeto.


Incêndio no teatro em 2008

Durante as reformas os transeuntes ainda sim poderão apreciar toda a beleza da obra, já que será feita uma proteção com uma estrutura metálica e com revestimento de policarbonato transparente.

Projeto do novo teatro, mantendo destaque no painel de Di Cavalcanti

O novo teatro contará com mais pavimentos aumentando a capacidade e melhorando os serviços . O custo da obra foi orçado em R$ 75 milhões, com prazo de entrega final em 2012. A primeira etapa da obra, custanto cerca de 40% do total, já teve boa parte de seu valor captado.


Espaço interior totalmente redesenhado, agora com maior capacidade

Resta esperar por essas mudanças no centro da cidade, e fiscalizar para que sejam entregues em dia e da maneira como foram propostas. E sonhar com mais obras desse tipo para que o centro de São Paulo passe a ser um ponto de encontro também nas horas de lazer, como deveria ser.

(L. Alves)