sábado, 24 de abril de 2010

A380 no Brasil

Estive no Aeroporto Internacional de São Paulo / Guarulhos. O aeroporto em questão é o maior da América do Sul e, em vôos internacionais, só perde para o Aeroporto Internacional de Sydney em todo o Hemisfério Sul. É também o terceiro no mundo em vôos atrasados - deu pra perceber que atrasos, lá, são constantes.
Estive no Terminal 2, na Asa D, e notei uma obra de reforma no pátio, bem perto das janelas do último portão do terminal. Como bom estudante de engenharia, fiquei observando e tentando entender o que estavam fazendo, sem sucesso. Não tirei nem uma foto, mas depois pesquisei na internet e descobri que se trata de uma obra de adequação para o aeroporto receber o gigante A380.


Além dessa adequação nos fingers, as pistas serão alargadas para 75m. A principal razão para o alargamento das pistas é para que os propulsores do A380 não fiquem fora da pista. O comprimento das pistas não precisa ser alterado, no entanto.
E, no previsto Terminal 3, já contarão com pontes de embarque com duplo check, que são exclusivas pro A380. Para que os passageiros entrem no avião já nos diferentes andares, aumentando a velocidade de embarque. O presidente da Infraero comentou ainda de um terceiro andar, que seria reservado para vips.
O lado negativo da adaptação é que a infra-estrutura para receber um avião com 800 passageiros não fica só na pista e nos fingers. Já imaginou 2 ou 3 A380s chegando ao mesmo tempo em Guarulhos? O complexo não ia acomodar tanta gente confortavelmente.
Outro problema seria o descarregamento do A380, precisariam arrumar um meio de vencer a montanha de bagagens em tempo hábil, com pessoal capacitado e esteiras novas muito maiores do que as que temos à disposição hoje.
É previsto que o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro também receba o A380 aqui no país. Mais sobre o A380 no Brasil.

(F. Coutinho)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Corredores de ônibus em São Paulo: necessidade urgente!

Muito se fala sobre o transporte sobre trilhos como solução para cidades de grande porte. Porém em muitos casos se esquece do ônibus que, se planejado de maneira eficiente, pode resolver os problemas com gasto consideravelmente menor. A algumas décadas atrás Curitiba resolveu dessa maneira, e a alguns anos atrás Bogotá, na Colombia, fez o mesmo e ambas servem de referência em todo o mundo.
Já a cidade de São Paulo têm a maior frota de ônibus do mundo e nem assim consegue resolver problemas de transito. Alguns meses atrás o preço da passagem subiu para R$2,70, tornando-se mais caro que o metrô. Com essa entrada de recursos a mais, imagina-se que melhoras significativas estão por vir, mas isso não é uma verdade completa.
O corredor da avenida Santo Amaro, por exemplo, é um bom exemplo de como NÃO se deve fazer. Lá existem paradas apertadas e em alguns casos uma mureta dividindo os dois sentidos. Em caso de quebra de algum ônibus ou mesmo de demora para embarque, outros ônibus ficam impossibilitados de passar gerando um congestionamento crescente.
Já o corredor de M'Boi Mirim, recentemente foi alvo de manifestação dos usuários. Algumas modificações começaram a ser feitas, porém ainda não se sentiu efetiva melhora.
A avenida Rebouças é outro bom exemplo de como não se projetar um corredor. Primeiro temos um túnel somente para carros sob a avenida Faria Lima, o "túnel da Marta", que mostra bem a visão do poder público de privilegiar o transporte individual ao público. Além disso temos três gargalos que acabam gerando filas de até 20 ônibus parados esperando para o embarque e desembarque. Felizmente no maior dos gargalos, o cruzamento com a avenida Faria Lima, estão sendo feitas algumas modificações que tornarão a plataforma com capacidade dobrada, podendo diminuir bem o congestionamento.


Antigas paradas Faria Lima do corredor de ônibus da Av. Rebouças


Futuras paradas Faria Lima do corredor de ônibus da Av. Rebouças

Esse tipo de parada é possível graças ao modelo de ônibus usado na cidade, com saídas e entradas pelos dois lados.

Fonte: http://www.onibusbr.com/2007_08_01_archive.html

Há também corredores de bastante sucesso, como o da avenida Ibirapuera. Esse corredor têm duas faixas nas aproximações das paradas que possibilita maior fluidez no embarque e desembarque, além de ser aberto para as faixas não exclusivas, que em caso de quebra de algum ônibus, podem ser usadas.
Nos resta cobrar por melhorias e criação de novos corredores e, quem sabe, uma integração total com o metrô, para aí sim podermos ter o ônibus como um transporte confiável e eficiente. Podendo também nos tornar uma referência nesse transporte.

(L. Alves)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Curitiba é recebe prêmio internacional de sustentabilidade

No dia 7 de abril de 2010, a cidade de Curitiba recebeu o prêmio de sustentabilidade (Sustainable City Award) pela entidade sueca Globe Award. A cidade já é conhecida mundialmente pelo bem sucedido plano de transporte a base de ônibus que a algumas décadas foi implantado e supre bem até os dias atuais a demanda da cidade. Um sistema de metrô está sendo planejado atualmente, porém é um pouco contestado, já que com menos investimento é provavelmente possível implementar o sistema de ônibus atual suprindo totalmente as necessidades atuais.
Muito conhecida em todo o Brasil pela limpeza urbana, Curitiba agora recebe o prêmio de sustentabilidade, desbancando concorrentes como Sidney, Malmö (Suécia), Múrcia (Espanha), Songpa (Coréia do Sul) e Stargard Szczecinski (Polônia). O prêmio será entregue dia 29 de abril em Estocolmo.


Dentre os vários programas apresentados pela cidade, o que se destacou foi o programa Biocidade. Há uma certa contestação da oposição em alguns aspectos como o destino do material a ser reciclado entregue a ONGs sem muita prestação de contas, porém é um programa de muita importância social e ambiental. Já foi apresentado em diversos congressos e discussões em todo mundo, como uma inovação para grandes centros urbanos.
A nota do Globe Forum destacou que "particularmente, a abordagem holística com que a cidade encarou os desafios da sustentabilidade é bem delineada e gerenciada numa clara demonstração de forte e saudável participação da comunidade e integração da dimensão ambiental com as dimensões intelectual, cultural, econômica e social".
O que o Brasil precisa agora é tomar como exemplo o projeto de Curitiba, além de diversos outros projetos sociais e investir para idéias como estas se espalhem por todo o país, para resolver nossos grandes problemas sociais sempre de olho na sustentabilidade ambiental.

(L. Alves)