domingo, 20 de dezembro de 2009

Enchentes em São Paulo: algumas causas

Todo ano, quando chega o verão, o paulistano já espera os males causados pelas chuvas intensas. Alguns projetos estão sendo executados e não podemos deixar de aponta-los, como a limpeza dos afluentes dos grandes rios, reurbanização em regiões de córregos e dos lagos, entre outros. Mas o atraso na construções de piscinões e o pouco caso dado à dragagem do Tietê, podem ser apontados como as causas principais durante as chuvas - também acima da média - ocorridas até o momento em São Paulo.


Com todos estes acontecimentos, ficamos pensando como a cidade mais rica da América do Sul pode sofrer tanto com problemas simples já resolvidos até em cidades com muito menos recursos mundo afora. Isso acontece devido a uma série de problemas que juntos dão esse resultado visto todos os anos.
A cidade já começou o problema muito antigamente com as mudanças feitas nos rios Tietê e Pinheiros, que perderam toda a área de várzea, ocupada na sequência por construções e pelas avenidas marginais. Além disso temos uma falta de organização das administrações públicas que historicamente não acompanham o crescimento da cidade dando importância às algumas regiões centrais e a bairros nobres. Com isso uma ocupação desordenada ocorreu e continua ocorrendo ao redor da cidade, nas regiões dos córregos afluentes dos rios e próximos à lagoa.
Outro problema é a impermeabilização do solo da cidade. Como basicamente temos as ruas com revestimento asfáltico, e em geral toda área urbana já construída, perde-se muito o fator impermeabilização.
A limpeza dos rios seria também algo relevante. A represa Billings foi projetada para servir de saída para água dos rios, e ainda gerar energia ao descer toda serra do mar. Com a poluição dos rios perdeu-se essa capacidade e a água do rio só é enviada aos lagos da zona sul controladamente durante as chuvas de grande volume. Caso fossem rios limpos aumentaríamos o controle durante os verões mais chuvosos.
Enfim, pode-se ver que para acabar de vez com esse problema precisamos de um plano mais abrangente, com grandes projetos de drenagem, limpeza de rios, urbanização em áreas afastadas, entre outros. Vale lembrar que há obras sendo feitas no momento, como a reurbanização das áreas próximas às lagoas, e limpeza dos córregos. Porém piscinões devem ser feitos com antecedência, a dragagem correta deve ser retomada pois, mesmo que sejam invisíveis para um ano eleitoral, são de extrema importância. Com essas e outras medidas, precisamos mudar essa imagem clara de São Paulo sempre tendo administrações focadas nas áreas ricas, e pouco social.
Outra esperança vem do Laboratório de Hidráulica da Escola Politécnica. Uma pesquisa chefiada pelo professor José Rodolfo Martins tenta criar um asfalto poroso que ajudaria a drenar parte da chuva. Segundo ele, o asfalto teria a capacidade de drenagem próxima à da areia de praia. Caso essa pesquisa gere frutos, este seria um grande aliado para acabar de vez com os problemas de enchentes da cidade.
Nos resta agora torcer por um verão não tão chuvoso (apesar de parecer que não será) e para que as medidas necessárias para remediar o atraso em obras e dragagem, sejam feitas. Torcer para que todas as promessas de obras sejam realmente feitas, e esta cidade, de tamanha importância econômica para o Brasil, não sofra mais esse tipo de problema básico.

(L. Alves)

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