terça-feira, 1 de setembro de 2009

Instituto Butantan faz a ponte científica entre Brasil e Moçambique

O Instituto Butantan é o mais importante centro de pesquisas biomédicas na história do Brasil. Desde a peste bubônica de 1900 em Santos até os dias atuais o instituto veio ajudando e crescendo junto com o país e o Estado de São Paulo. Com expansão do café, foi um importante aliado com a criação de diversas vacinas e soros para as serpentes que simbolizavam uma grande ameaça na época. Inicialmente com o cientista Vital Brazil e diversos outros nomes importantes no passado, o instituto conta hoje com um complexo de três museus, um parque e um hospital na Zona Oeste da capital paulista, é responsável por cerca de 80% dos soros e vacinas produzidos no Brasil.



O instituto agora trabalha na produção de soros contra o veneno de serpentes de Moçambique. Isso porque uma iniciativa chamada Pró-Africa, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico, iniciada em 2006 começa a gerar frutos.
Até agora foram investidos R$200.000,00, sendo 30% do instituto (vinculado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo) e os outros 70% do governo federal. A idéia é produzir numa primeira etapa soro para três gêneros de serpentes: Bitis (três espécies), a Naja (duas espécies) e Dendroaspis (mambas/duas espécies).
Hoje, tanto os humanos quanto os animais têm muitos problemas com serpentes no país africano, ocorrendo uma quantidade considerável de mortes anualmente.

Toda produção de soros e vacinas serão doados a Moçambique, já que o país não dispõe de infra-estrutura para a produção. Até o momento três pesquisadores da Universidade Eduardo Mondlan, em Maputo, já foram capacitados pelo instituto e espera-se que o país consiga autosuficiência na produção de soros e vacinas de serpentes. Pretende-se também construir um museu da história natural no local, além de um serpentário aos moldes Butantan.
A iniciativa conta com o apoio de todo governo de Moçambique, do Ministério de Ciência e Tecnologia brasileiro e de todo corpo diplomático do Brasil na África. E tem como responsável pelo projeto o médico veterinário Wilmar Dias da Silva.

(L. M. Alves)