terça-feira, 4 de agosto de 2009

Lixo inglês: de volta pra casa

Nesse ultimo mês de julho todo o mundo ficou indignado com o lixo inglês, mais de 1400 toneladas, que foi enviado ao Brasil. Até a semana passada nada tinha sido feito, apenas a prisão de 3 supostos responsáveis na Inglaterra, que em pouco tempo foram soltos. Porém na ultima sexta-feira, dia 7 de agosto, esses 90 contêineres foram enviados de volta ao país de origem, cheios de lixo orgânico e hospitalar, que após todo esse tempo já tinham sinais claros de putrificação e crescimento de larvas.


Porém esse episódio é uma ótima oportunidade para se pensar na gestão do lixo do nosso país. O fato de termos muito espaço físico, pouca vontade política e pouca fiscalização atrapalhou o desenvolvimento de políticas de reciclagem mais abrangentes.
Sabe-se que na maioria das capitais e grandes cidades brasileiras, estamos chegando num limite de capacidade de lixo e em breve pode ocorrer um caos do lixo no país. Isso porque apenas uma pequena parte dos lixos é reciclado e pouco se faz para a substituição das sacolinhas plásticas de supermercado, as maiores vilãs na decomposição do lixo orgânico.
A cidade de São Paulo, por exemplo, produz 12.000 toneladas de lixo por dia. Tem bons índices de reciclagem de papelão e alumínio, porem deixa a desejar em diversos outros materiais de reciclagem muito fácil e sem necessidade de tecnologia de ponta. Com isso perde-se em todo o país em média R$ 4,6 bilhões por ano, dinheiro que poderia ser economizado caso houvesse uma política de reciclagem descente.



Alguns materiais recicláveis como papelão e latas de aço são importados todos os anos para reciclagem em terras tupiniquins. E materiais de ótima reciclagem não são aproveitados, como por exemplo o vidro (100% reciclável). No Brasil 95% desse material é enterrado junto aos materiais orgânico, mostrando que estamos muito atrás de países como o Japão que recicla 55,5% de seus vidros.
De todos esses dados podemos perceber que reciclagem é algo bom e sustentável, e além disso algo que pode gerar muito dinheiro (ou economizar muitos gastos). O assunto deve ser tratado com mais seriedade pelos políticos e pelo povo, desde separação de lixo nas residências (sem esquecer de entregar em postos de reciclagem, pois caso contrário é trabalho a toa) até investimento publico/privado em usinas de reciclagem.

(L. M. Alves)

2 comentários:

Pedro disse...

Dr. Alves,
Muito pertinentes suas colocações. Penso que todos nós podemos colaborar de alguma forma. Há redes de supermercados, como o Pão de Açúcar, que oferecem sacolas de material resistente que podem ser utilizadas centenas de vezes, ao contrário das sacolas plásticas. Devemos apoiar iniciativas como estas e esquecer das sacolas plásticas. Já é um grande avanço e sinal de respeito ao meio em que vivemos e às futuras gerações.

L. M. Alves disse...

Com certeza caro Pedro. Uma iniciativa muito simples que vi nos supermercados da marca Carrefour em Barcelona por exemplo, é de cobrar por volta de R$0,10 por sacola de plástico de compras. Em alguns casos o dinheiro era repassado diretamente para baratear o custo de sacolas de pano reutilizaveis.
Essa é apenas uma maneira de ajudar. Existem diversas outras e se cada um fizesse todo o possível, com certeza estaríamos numa melhor situação nos grandes centros urbanos. E os cofres públicos gastando muito menos com lixo, podendo investir em outras áreas.