quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Conceitos gerais e o projeto de iluminação em um restaurante

A iluminação em restaurantes envolve vários aspectos, dependendo de características tanto das construções em si como também do serviço prestado pelos mesmos. Isso ocorre porque a iluminação influencia diretamente o comportamento das pessoas em restaurantes; por exemplo, estabelecimentos do tipo fast food apresentam iluminâncias altas e consideravelmente constantes, já que isso estimula os clientes a ficarem pouco tempo e terem refeições rápidas, enquanto em locais que oferecem serviços à la carte – como o Koban – deve prevalecer um projeto de iluminação mais complexo, a fim de que seus clientes sintam-se convidados a passarem mais tempo no interior (espera-se aconchegante) desses.


Típico restaurante Mc Donalds e o restaurante Koban de Moema, em São Paulo

Assim, o projeto de iluminação (e seu aproveitamento tanto da luz natural como de fontes artificiais) é muito importante para criar uma identidade do restaurante e também ambientações diversas em seu interior – por mais próximas e semelhantes que essas sejam. Então, serão analisados os principais fatores que compõem a iluminação de restaurantes, capazes de provocar sensações e estímulos, além do principal (prover de luz adequadamente seus espaços internos, principalmente os dedicados aos alimentos e ao estar das pessoas).
Diferentes tons de luz são importantes para provocar sensações de profundidade e melhor definição das formas dos objetos e ambientes, e devem ser combinados e planejados cuidadosamente com as sombras, para que criem os contrastes desejados e evitem ofuscamentos; ausência de sombras, iluminância muito uniforme e luz difusa deixam com aparência plana os objetos e a paisagem em geral, como será comentado a seguir, e por isso não são os aspectos mais interessantes ao presente estudo.
A luz, como aponta Cláudia Torres (Lume Arquitetura edição 25), tem seu desenho formado pelos seguintes itens: intensidade, cor e contraste.
Em restaurantes como o Koban, que apresentam padrão relativamente elevado, o contraste é uma das ferramentas que devem ser melhor trabalhadas; segundo Gordon, “a percepção do mundo a nossa volta é baseada na quantidade de contraste: as diferenças entre claro e escuro.
Contraste é um estímulo que influencia o humor e a produtividade. (...) Em vez de se questionar quanta luz é necessária a um ambiente ou atividade, projetistas de iluminação deveriam se perguntar quanto contraste é requerido.”
A intensidade está relacionada com a quantidade de luz captada por nossos olhos (que por sua vez é influenciada por muitos outros fatores, tanto do ambiente em si quanto dos componentes relativos às ditas fontes de luz), e também é baseada na experiência – por exemplo, se dizemos que o dia está muito claro, com alta intensidade de luz natural, temos por base que a maioria dos dias apresenta claridade inferior.
Entre outras, variações bem planejadas de intensidades de luz podem servir para destacar ambientes, separá-los, conectá-los, definir hierarquias entre os mesmos ou sugerir direções dentro do recinto.

Por último, a cor é muito mais do que um simples jogo de comprimentos de ondas, sendo somados, subtraídos, filtrados, emitidos e refletidos; a cor pode ser responsável por induzir muitas emoções e sentimentos aos seres humanos, influenciando os sistemas psicológico e até mesmo o fisiológico. Segundo Cláudia Torres, que teve como referências Richard Gerber e o manual da IES Lighting, as cores ditas “quentes”, como vermelho, laranja e amarelo, provocam excitação e sensações de alegria, luminosidade, aquecimento e estímulo, enquanto as cores ditas “frias” – como azul, verde e violeta, transmitem sensações de equilíbrio, calma, tranqüilidade e suavidade, mas também podem gerar sono e ambientes sonolentos e depressivos, se não utilizadas de maneira adequada.

Temos, também, os tipos dominantes das fontes de luz, e que são determinantes “à psicologia” apresentada pelos ambientes; segundo Gordon: iluminação geral e difusa, iluminação focada, e iluminação pulverizada. Richard Kelly, especialista em projetos de iluminação, comenta esses três tipos no livro acima citado: “A iluminação geral e difusa não cria sombras, e minimiza formas e volumes. Enfim, desmaterializa [o ambiente]. Reduz a importância de objetos e pessoas. (...)Geralmente é tranqüilizador e repousante”; diante disso, conclui-se que esse tipo de iluminação não pode prevalecer em restaurantes como o que está sendo estudado.
Para Kelly, a iluminação com focos de luz “pode induzir movimento, separa o importante do sem importância, fixa o olhar, diz às pessoas o que elas devem olhar, cria interesse e comanda a atenção; organiza, marca o elemento mais importante, cria um senso de espaço e pode sistematizar a profundidade do ambiente através de uma seqüência de centros focados”.
Ainda, segundo Kelly, a iluminação pulverizada “é como um céu estrelado, e essa composição de brilhantes excita os nervos ópticos... estimula o corpo e o espírito e encanta os sentidos. Cria um sentimento de vivacidade, alerta a mente, desperta a curiosidade. É a mais excitante forma de iluminação; estimula e desperta apetites de todos os tipos; candelabros em ambientes de jantar ou marquises em teatros, por exemplo, tiram vantagem desse fato.”
Então, percebe-se que esses dois últimos citados devem ser combinados inteligentemente para que o projeto de iluminação propicie os efeitos desejados e portanto se configure como um sucesso.
O balanço de iluminação, utilizando os elementos já citados, é o que formará a identidade dos ambientes quanto à iluminação.
Ambientes com baixo contraste são pobres na criação de estímulos e, aliados a uma iluminação mais geral, criam impressões de espaços públicos. Por sua vez, espaços com altos contrastes de iluminação podem evocar específicos humores e emoções, focos de luz criam contrastes que captam a atenção das pessoas – um único holofote iluminando algo ou alguém em um palco é seu exemplo extremo; iluminações específicas em determinados pontos, criando destaques e também um jogo de sombras, são muito importantes para se sugerir impressões de um espaço “privado” e aconchegante, aspecto fundamental a restaurantes mais finos.
Por fim, a iluminação não uniforme causa impressões de agradabilidade, e pode ser classificada como mais “amigável, sociável e interessante.”


(G. Serra)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Lixo inglês: de volta pra casa

Nesse ultimo mês de julho todo o mundo ficou indignado com o lixo inglês, mais de 1400 toneladas, que foi enviado ao Brasil. Até a semana passada nada tinha sido feito, apenas a prisão de 3 supostos responsáveis na Inglaterra, que em pouco tempo foram soltos. Porém na ultima sexta-feira, dia 7 de agosto, esses 90 contêineres foram enviados de volta ao país de origem, cheios de lixo orgânico e hospitalar, que após todo esse tempo já tinham sinais claros de putrificação e crescimento de larvas.


Porém esse episódio é uma ótima oportunidade para se pensar na gestão do lixo do nosso país. O fato de termos muito espaço físico, pouca vontade política e pouca fiscalização atrapalhou o desenvolvimento de políticas de reciclagem mais abrangentes.
Sabe-se que na maioria das capitais e grandes cidades brasileiras, estamos chegando num limite de capacidade de lixo e em breve pode ocorrer um caos do lixo no país. Isso porque apenas uma pequena parte dos lixos é reciclado e pouco se faz para a substituição das sacolinhas plásticas de supermercado, as maiores vilãs na decomposição do lixo orgânico.
A cidade de São Paulo, por exemplo, produz 12.000 toneladas de lixo por dia. Tem bons índices de reciclagem de papelão e alumínio, porem deixa a desejar em diversos outros materiais de reciclagem muito fácil e sem necessidade de tecnologia de ponta. Com isso perde-se em todo o país em média R$ 4,6 bilhões por ano, dinheiro que poderia ser economizado caso houvesse uma política de reciclagem descente.



Alguns materiais recicláveis como papelão e latas de aço são importados todos os anos para reciclagem em terras tupiniquins. E materiais de ótima reciclagem não são aproveitados, como por exemplo o vidro (100% reciclável). No Brasil 95% desse material é enterrado junto aos materiais orgânico, mostrando que estamos muito atrás de países como o Japão que recicla 55,5% de seus vidros.
De todos esses dados podemos perceber que reciclagem é algo bom e sustentável, e além disso algo que pode gerar muito dinheiro (ou economizar muitos gastos). O assunto deve ser tratado com mais seriedade pelos políticos e pelo povo, desde separação de lixo nas residências (sem esquecer de entregar em postos de reciclagem, pois caso contrário é trabalho a toa) até investimento publico/privado em usinas de reciclagem.

(L. M. Alves)