quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Trânsito: quem é prioridade?

Mais uma vez entraremos nesse tema tão atual e cada dia mais comentado nos jornais e revistas. O que antes eram problemas isolados de algumas cidades grandes do pais, hoje começa a ser visto até em cidades de médio porte.
Muito disso se dá pela cultura automobilística brasileira. Desde a entrada das grandes fábricas no Brasil por volta dos anos 50 até então, o brasileiro adquiriu o hábito de sempre recorrer ao automóvel para qualquer uma de suas necessidades diárias.
O problema e que para resolver isso as prefeituras acabam, por ingenuidade, falta de conhecimento, cultura do carro ou pressão das grandes empresas automobilísticas, construindo mais vias, viadutos, alças de acesso, dentre outros. O que em muitos casos não resolve muito, apenas aumenta o trânsito.
Para ilustrar isso vamos analisar o que ocorreu nos últimos anos num dos mais importantes congressos de engenharia de tráfego do mundo, em Washington. Nesse evento, cada ano, é eleita a melhor obra de melhoria de tráfego em áreas urbanas, e os campeões tem sempre algo em comum: diminuir as vias possíveis de tráfego dos carros. Em 2006, quem levou foi a cidade de Bogotá, que criou um sistema corredores de ônibus sofisticado, diminuindo a fluxo de carros e deixando toda região central completamente servida de acessos por transporte publico, sem a necessidade gigantescos gastos de metro. Em 2007 foi a vez de Seul, capital da Coreia do Sul que implodiu toda uma via feita sobre um rio da cidade, transformando toda margem num grande parque restringindo o acesso dos veículos. O ano de 2008 houve um empate entre Paris e Londres. A capital francesa foi escolhida por colocar bicicletários por toda cidade com aluguéis muito baratos, havendo uma diminuição muito significativa do tráfego na região central. A medida adotada por Londres foi a taxa de transito (chamada no Brasil de pedágio urbano). A capital inglesa ficou com o centro bem descongestionado. Ja nesse ano, quem ganhou foi Nova Iorque, que restringiu o acesso de veículos numa região cheia de grandes avenidas na cidade e construiu um parque, tirando de vez a possibilidade de tráfego no local.
Observando todos esses casos fica bem claro que a solução não esta no aumento da capacidade de suportar veículos, e sim na diminuição da quantidade de veículos, gerando um ambiente agradável e bem atendido pelo transporte publico.
Curitiba, uma cidade modelo para os padrões brasileiros, começa a se deparar com discussões a respeito. Um novo projeto que deve começar a ser construído em 2010 prevê enterrar uma boa parte do sistema de transporte "cidade-modelo" idealizado em 1970 com a construção do metro. Cerca de 19 dos 90 quilômetros de canaletas de ônibus antigos devem ser transformados em bulevares e parques lineares.


As obras devem ser feitas para 2017, porem podem ser entregues antes caso a cidade de Curitiba seja uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Serão 22 quilômetros de linha de metro, com 21 estações.
Fica a torcida para que as cidades brasileiras passem a ver o pedestre e ciclista com mais importância e melhorem os transportes públicos principalmente nas regiões centrais para diminuir ao máximo o fluxo de veículos particulares e aumentando os serviços do transporte publico.

(L. M. Alves)

Um comentário:

Pedro disse...

Já Brasília, na contramão da História, aumenta o número de veículos particulares vertiginosamente, uma vez que o transporte público é de péssima qualidade e muito caro.