sexta-feira, 24 de outubro de 2008

E o Bambu?

Uma alternativa construtiva para um futuro mais sustentável.

Phyllostachys aurea, Dendrocalamus giganteus e Guadua angustifolia, são todas espécies de bambu boas para as construções e que crescem facilmente em todo lugar no Brasil. Porém ao observar as edificações à nossa volta só se vê concreto armado e alvenaria estrutural, materiais resistentes porém de maior impacto ambiental e com maiores custos de produção.
O bambu cresce muito rápido: na primavera pode ocorrer o crescimento de um metro em apenas 24 horas, e em só cinco anos ele atinge sua maior altura, que varia entre 25 e 30 metros para a espécie Guadua e até mais para a Gigante. A produção de bambu é portanto rápida, sem gastos energéticos, de baixos custos e seu impacto no meio ambiente é também benéfico por causa das emissões de oxigênio na atmosfera, durante a maturação das plantas.
As características mecânicas e estruturais o colocam entre os melhores materiais para construções.
No passado o bambu foi muito usado, especialmente pelas civilidades orientais, em obras exemplares por beleza e engenho, como a cúpula do Taj Mahal na Índia e vários templos na China.
O bambu tem uma ótima resistência à tração e por isso as suas características estruturais são consideradas parecidas com aquelas do aço, mas com a vantagem de ser um produto muito mais barato.
Na cultura ocidental o bambu foi sempre considerado um material pobre e não digno de ser objeto de pesquisa para introduzi-lo oficialmente na indústria das construções e na arquitetura.
Só alguns engenheiros e arquitetos se interessaram pelo desenvolvimento tecnológico e estético desse material. Entre estes se encontram o italiano Renzo Piano, que estudou o detalhe de nós de estruturas feitas em bambu e o colombiano Simón Vélez, que está fazendo ambiciosos experimentos estruturais em seu país e já construiu uma catedral na cidade de Pereira e a ponte Santo Antonio, todos feitos em bambu.
O resultado desses experimentos são construções leves, transparentes, modernas e high-tech, mas ao mesmo tempo com imagens orgânicas, naturais e em perfeita e respeitosa integração com o ambiente ao redor.
O guadua tech, a tecnologia estrutural do bambu, deveria ser considerado como uma alternativa às tecnologias mais comuns, e desenvolvida na ótica de um futuro sustentável.
No Brasil ainda pouco se estuda a esse respeito, o que nos faz pensar no bambu apenas como um objeto de decoração.
Oxalá essa idéia comece a ser mudada a partir de agora, e quem sabe no futuro, teremos diversas construções com a estrutura e a estética baseada em bambu.

(P. Bianchi)

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